Queijo Frei Rosário: o primeiro maturado em caverna do Brasil
Queijo Frei Rosário: primeiro maturado em caverna do Brasil

Para provar o queijo do Frei Rosário, curado em cavernas naturais a mais de 1700 metros de altitude no santuário da Serra da Piedade, em Caeté (MG), é preciso percorrer as curvas fechadas da serra. A subida revela montanhas no horizonte e, quando o tempo permite, a vista alcança mais de 40 cidades.

Origem da tradição nos anos 1950

A história começou na década de 1950, quando o frei Rosário Jofilly passou a guardar queijos artesanais em uma caverna de pedras no alto da montanha, antes usada para abrigar cabras dos religiosos. "Ele comprava o queijo da Serra do Salitre para curar e adorava convidar amigos para degustar", conta Sr. Zacarias, que trabalhou com Frei Rosário e é funcionário do santuário há 48 anos.

A atividade de cura foi interrompida em 2002, quando o frei já estava idoso, e ele faleceu em 2010. Foi somente a partir de 2012 que a pesquisadora Vani Maria Fonseca Pedrosa e Lucas Desidério, funcionário do Santuário, resolveram retomar a prática. "Validamos o resultado com o mestre queijeiro francês Gérard Poulard e a primeira degustação pública foi em 2014", relata a historiadora Vani Pedrosa, que documentou todo o processo.

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Condições naturais e sabor único

As condições naturais do local — temperatura, umidade e crescimento de fungos nativos — resultam em uma cura diferenciada, com sabores terrosos, de cogumelos e casca natural, com mofos multicores. Atualmente, o queijo é vendido na loja do santuário.

Evento de degustação na caverna

Em junho, a Rota do Queijo de Minas promoveu um evento dedicado ao queijo do frei, com curadoria de Jordane Macedo. No cardápio, além do queijo santo, foram provados queijos de outras regiões de Minas Gerais, como Trilhos do Ferro (Rio Piracicaba), Queijo do Zé Célio (Santa Bárbara), Queijos Emboabas (Caeté), João de Barro (Diamantina) e Queijaria Almeida Guimarães (Itanhandu).

"Produtores locais de mel, geleias e quitandas dividiram o espaço com cozinhas ao vivo e apresentações musicais intimistas. Mais do que uma feira gastronômica, a experiência foi uma verdadeira imersão na tradição queijeira de Minas Gerais, em um ambiente tranquilo e respeitoso do local", disse Jordane, que organiza rotas de visitas a queijarias em várias regiões do estado para facilitar o contato entre consumidores urbanos e rurais.

Legado e reconhecimento

O ponto alto do evento foi a celebração do legado do Queijo Frei Rosário, considerado o primeiro queijo maturado em caverna do Brasil. A promessa feita na ocasião foi abrir o espaço ao público em breve para degustações de queijos harmonizados com vinhos nas cavernas históricas.

A realização do evento reforça o potencial da Serra da Piedade como destino de turismo cultural e gastronômico, ainda mais relevante após o reconhecimento dos "Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal" como Patrimônio Cultural Imaterial pela Unesco, em 2024.

Para Jordane, a iniciativa busca conectar o público às paisagens, histórias e comunidades que sustentam a tradição queijeira mineira. Para o Padre Wagner Calegário, reitor do Santuário, o evento celebra a "síntese cultural, gastronômica, religiosa e espiritual com os produtores locais" de Minas Gerais, dando visibilidade à riqueza da região. Mas muito além da cultura ou da espiritualidade, a textura amanteigada e os sabores intensos do queijo já valem a subida da serra.

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