Por Suzana Barelli
Hospice de Beaune: história e tradição vinícola
Hoje foi dia de visitar o Hospice de Beaune, um museu no centro da cidade francesa de Beaune, cuja história está profundamente ligada ao vinho. Em 1443, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, um casal de nobres construiu um hospital no local, uma espécie de Santa Casa de Misericórdia. Naquela época, e até hoje, a Borgonha já era fortemente associada ao mundo dos vinhos, e muitos nobres doavam parcelas de suas vinhas para o hospital.
Doações de vinhedos: tradição que perdura
O hábito de doar vinhedos se mantém até os dias atuais. No ano passado, por exemplo, a Domaine Faiveley doou 0,18 hectare de uma parte de seus vinhedos em Clos Vougeot para o Hospice. Atualmente, a instituição conta com 60 hectares de vinhas, distribuídos em 86 climats, e elabora mais de 50 vinhos, entre brancos e tintos.
Essas vinhas são responsáveis por financiar a instituição de caridade até hoje. Com as vinhas recebidas, o Hospice começou a produzir vinhos de maneira bastante peculiar. A equipe do Hospice, atualmente liderada por Ludivine Griveau, cuida dos vinhedos, inclusive com práticas orgânicas, colhe as uvas e elabora os vinhos. Após a fermentação, os vinhos são colocados em barricas.
Leilão anual: tradição centenária
No terceiro final de semana de novembro, essas barricas são leiloadas. Em 2026, ocorrerá a 166ª edição desse leilão, organizado pela Sotheby's, importante casa de leilões inglesa. No ano passado, foram arrecadados 21,5 milhões de euros no leilão, o terceiro maior valor desde o início de sua realização.



