A economia da experiência está redesenhando o cenário de consumo no Brasil. Dados recentes indicam que 78% dos consumidores brasileiros preferem gastar com experiências, como viagens e eventos, em vez de bens materiais. A tendência, que já era observada em mercados maduros, ganhou força no país após a pandemia, quando as pessoas passaram a valorizar mais o tempo de qualidade e as memórias.
Mudança de prioridades
Segundo pesquisa da Eventbrite, 72% dos millennials brasileiros afirmam que experiências os fazem mais felizes do que posses. Esse comportamento reflete uma transformação cultural: o consumo não é mais apenas funcional, mas emocional e simbólico. “As pessoas estão buscando significado em suas escolhas de consumo, e as experiências oferecem exatamente isso: conexão, aprendizado e prazer”, explica a economista Carla Souza, especialista em comportamento do consumidor.
Impacto em setores-chave
O turismo é um dos principais beneficiados. O setor registrou crescimento de 15% no último ano, com destaque para o turismo de experiência, que inclui roteiros gastronômicos, ecoturismo e imersões culturais. A gastronomia também vive um boom: restaurantes que oferecem menus degustação ou experiências sensoriais têm filas de espera de até três meses. “Não é apenas comer, é vivenciar a comida”, afirma o chef Ricardo Martins, do restaurante paulistano Tudo ao Mesmo Tempo.
Tecnologia como facilitadora
Plataformas digitais têm papel central nessa transformação. Aplicativos de reservas, redes sociais e sites de avaliação permitem que consumidores descubram, compartilhem e avaliem experiências em tempo real. “A tecnologia democratizou o acesso a experiências que antes eram restritas a uma elite”, destaca a consultora de inovação Ana Lúcia Pereira. Startups brasileiras, como a Viva Experience, já captaram mais de R$ 50 milhões para expandir suas operações.
Desafios e oportunidades
Apesar do otimismo, a economia da experiência enfrenta desafios. A inflação e a desigualdade de renda limitam o acesso de parte da população. No entanto, especialistas veem espaço para crescimento, especialmente em experiências acessíveis e locais. “O futuro do consumo é híbrido: combinar o material com o experiencial, criando valor para todos os públicos”, conclui Carla Souza.



