O local onde o boiadeiro Chico Mineiro, personagem que inspirou o clássico sertanejo da dupla Tonico e Tinoco, teria morrido em Goiás agora integra o Caminho de Cora Coralina, uma trilha de 300 km com sinalização bilíngue e cerca de 60 placas com poesias de escritores goianos. No trecho, o personagem recebe flores e uma placa com a letra da música.
Caminho de Cora Coralina: primeira trilha de poesias do mundo
Bruno Ribeiro, diretor de Comunicação do Caminho de Cora, afirmou ao g1 que a trilha, inaugurada em 2018, passa por oito povoados entre Salto de Corumbá e a Cidade de Goiás. “O Caminho de Cora Coralina é a primeira trilha de longo curso de poesias do mundo”, disse Bruno. O percurso resgata a antiga "Rota do Ouro" desbravada por tropeiros e foi inspirado em rotas famosas como o Caminho de Santiago.
Bruno recomenda que a trilha seja feita em grupos e que os turistas apreciem as paisagens, como a Serra de Jaraguá. O trajeto pode ser percorrido a pé em cerca de 15 dias ou de bicicleta em cinco dias, sendo totalmente sinalizado para permitir a peregrinação sem a necessidade obrigatória de guias. O acesso é público e gratuito. A associação que mantém a trilha disponibiliza um passaporte por R$ 45,00, que permite ao turista colecionar carimbos pelas localidades visitadas e obter um certificado de conclusão.
Morte de Chico Mineiro: entre a lenda e a verdade
José Carlos Perez, filho do cantor Tinoco, afirmou ao g1 que não há comprovação sobre a existência real de Chico Mineiro ou do local exato de sua morte. Ele ressalta que a crença popular consolidou a história como uma verdade. “A música caipira tem o poder de transformar uma história em verdade”, destacou. O local marca o ponto onde o boiadeiro teria caído morto após ser baleado durante uma festa do Divino.
A música “Chico Mineiro” narra a descoberta de que ele e seu parceiro de estrada eram “irmãos legítimos”. No trecho final: "Quando vi seu documento/ Me cortou meu coração/ Vim saber que o Chico Mineiro/ Era meu legítimo irmão".
Origem do clássico sertanejo
Segundo José Carlos, quem compôs o clássico foi Francisco Ribeiro, um funcionário da Rádio Difusora de São Paulo. Francisco levou a música ao Tonico, mas a letra estava em papéis antigos e era tão extensa que exigiu uma adaptação estrutural da dupla sertaneja. Para conseguir transmitir todo o enredo da história, Tonico decidiu transformá-la em uma "toada histórica", um formato que intercala trechos narrados com a parte cantada.



