Bar da Dona Rosinha: sabores indígenas às margens do Rio Branco em Boa Vista
Bar da Dona Rosinha: sabores indígenas em Boa Vista

Às margens do Rio Branco, em Boa Vista, Roraima, o Bar da Dona Rosinha se destaca pela culinária tradicional indígena e pelo contato direto com a natureza. Rosinete de Oliveira, de 54 anos, conhecida como Dona Rosinha, transformou sua paixão por peixes em um negócio de sucesso. Há quase dois anos, ela fundou o estabelecimento no bairro Jardim das Copaíbas, zona Oeste da capital.

Peixe frito no fogão à lenha: a atração principal

Diferente dos bares convencionais, o Bar da Rosinha tem como carro-chefe o peixe frito preparado no fogão à lenha. O cardápio varia conforme a pesca do dia, com espécies como pacu, cabeça gorda, branquinha, dourado, surubim e até sardinha. "Sempre varia, é aquilo que Deus dá", conta Rosinha. Os peixes são comprados de pescadores locais, limpos, cortados, empanados e fritos, servidos com baião, farofa, vinagrete e molho caseiro de pimentas cultivadas por ela mesma.

Experiência rústica e familiar

As refeições são apreciadas debaixo de mangueiras, com vista para o rio. O ambiente remete a um sítio no interior, mas dentro da cidade. O bar começou em novembro de 2024 com uma simples caixa de isopor. Hoje, recebe cerca de 200 clientes por fim de semana. Rosinha atribui o sucesso à simplicidade: "Não são essas comidonas difíceis. É o mais simples do simples, e isso é maravilhoso".

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Empreendedorismo feminino e tradição indígena

Rosinha é indígena do povo Macuxi, nascida em Bonfim, norte de Roraima. Ela cresceu às margens do rio Tacutu e, após se mudar para Boa Vista, retomou a conexão com a natureza. O bar é administrado com a ajuda das filhas, do marido, irmãs e outros familiares. Dados do Sebrae indicam que 26 mil mulheres comandam negócios em Roraima, representando 30% dos empreendimentos formalizados.

Desafios e adaptação à natureza

O bar enfrenta oscilações de sinal de telefone, estrada de terra e energia elétrica por gerador. A gestora do Sebrae, Kamyla Brasil, destaca que "empreender com produtos que dependem da natureza exige capacidade de adaptação maior". O negócio depende do clima, do período de reprodução dos peixes e do nível do rio. No verão, todo o espaço é usado; no inverno amazônico, com a cheia, o atendimento é por agendamento e o acesso é de canoa.

Conexão com o rio e a cultura local

O Rio Branco dita o cardápio e o funcionamento do bar. Na seca, os peixes vêm de pescadores; no defeso, de criadores de tanque. Rosinha afirma: "É uma satisfação imensa Deus ter me dado essa oportunidade de morar na beira do rio". O bar é considerado parte do turismo gastronômico, oferecendo uma experiência genuinamente roraimense, longe dos roteiros tradicionais.

O preço da refeição varia a partir de R$ 25, dependendo do peixe. O cliente escolhe o peixe diretamente, e o prato é montado para agradar primeiro aos olhos. "Gosto de montar meus pratos e entregar para que a pessoa primeiro coma com os olhos. Depois, encha a barriga", diz Rosinha.

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