O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de apenas 0,06% em julho, resultado bem abaixo do esperado pelo mercado financeiro. O dado, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça o cenário de desinflação e aumenta a chance de um corte na taxa Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.
Variação mensal e acumulada
O IPCA-15 de julho ficou abaixo da mediana das projeções do mercado, que apontava para uma alta de 0,12%. No acumulado em 12 meses, o indicador passou de 4,18% em junho para 4,15% em julho, mantendo-se abaixo do teto da meta de inflação de 4,5%. A desaceleração foi puxada principalmente pela queda nos preços de combustíveis e pela estabilidade nos alimentos.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis tiveram alta em julho, mas com intensidade menor que no mês anterior. O grupo Transportes registrou deflação de 0,5%, influenciado pela redução de 2,3% nos preços da gasolina. Já Alimentação e Bebidas ficou praticamente estável, com alta de 0,01%.
Impacto sobre a política monetária
O resultado veio em linha com a visão de economistas que defendem o início do ciclo de afrouxamento monetário ainda neste ano. Para a economista-chefe do Banco XYZ, Maria Silva, o IPCA-15 de julho “abre caminho para o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual já em setembro”. Ela destacou que a queda nos núcleos de inflação e a ancoragem das expectativas de longo prazo fortalecem o argumento para o corte.
“A inflação de serviços ainda preocupa, mas o conjunto dos dados aponta para uma convergência mais rápida para a meta. O Copom deve aproveitar o espaço para iniciar o relaxamento monetário”, afirmou Silva.
Comparação com meses anteriores
Em junho, o IPCA-15 havia subido 0,15%, e em maio, 0,44%. A desaceleração consecutiva já vinha sendo observada, mas o dado de julho surpreendeu pelo tamanho da queda. O índice acumulado no ano até julho é de 2,89%, ante 3,12% no mesmo período de 2025.
O Banco Central, em sua última ata do Copom, sinalizou que poderia iniciar cortes na Selic se o cenário inflacionário continuasse favorável. A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano.
Expectativas para o Copom
Com o IPCA-15 abaixo do esperado, cresceu a especulação sobre o tamanho do corte. Enquanto a maioria do mercado aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual, alguns economistas já falam em um corte maior de 0,50 ponto. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 20 e 21 de setembro.
O governo federal também monitora os dados com atenção. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy (fictício), evitou comentar diretamente, mas disse que “a inflação sob controle é condição para o crescimento sustentável”. A oposição, por outro lado, cobra uma redução mais agressiva dos juros para estimular a economia.
Detalhamento dos grupos
- Alimentação e bebidas: 0,01%
- Habitação: 0,18%
- Artigos de residência: 0,12%
- Vestuário: 0,25%
- Transportes: -0,50%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,30%
- Despesas pessoais: 0,22%
- Educação: 0,08%
- Comunicação: 0,05%
O grupo Transportes foi o único a registrar queda, puxado pela gasolina e pelo etanol. Já o grupo Saúde teve a maior alta, pressionado por reajustes em planos de saúde.
Contexto econômico mais amplo
A desaceleração da inflação ocorre em meio a um cenário de atividade econômica fraca. O PIB do segundo trimestre deve mostrar crescimento próximo de zero, e o desemprego ainda está elevado, em torno de 8,5%. A combinação de inflação baixa e atividade fraca é o cenário clássico que justifica a redução dos juros.
O mercado financeiro reagiu positivamente ao dado. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em alta de 1,2% no início da tarde, e o dólar comercial caía 0,8%, cotado a R$ 4,90.



