A economia dos Estados Unidos registrou crescimento de 1,5% no segundo trimestre de 2024, em termos anualizados, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira. O resultado ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam uma expansão de 1,9%. Apesar da desaceleração em relação ao trimestre anterior, o consumo das famílias e os investimentos empresariais, especialmente em inteligência artificial (IA), mantiveram a atividade aquecida.
Consumo das famílias e investimentos impulsionam o PIB
O consumo pessoal, que responde por cerca de dois terços do PIB norte-americano, cresceu 2,3% no período, ligeiramente acima das estimativas de 2,2%. Os gastos com serviços, como saúde e lazer, e com bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, foram os principais impulsionadores. Já os investimentos fixos não residenciais, que refletem os gastos das empresas com equipamentos, máquinas e tecnologia, avançaram 3,8%, puxados por fortes aportes em infraestrutura de IA e computação em nuvem.
Desaceleração ante o primeiro trimestre
No primeiro trimestre de 2024, o PIB dos EUA havia crescido 2,0%, revisado para cima em relação ao dado preliminar. A desaceleração para 1,5% no segundo trimestre reflete, em parte, o aumento das importações e a redução dos estoques empresariais. As exportações líquidas tiveram contribuição negativa, enquanto os gastos do governo federal cresceram 1,2%, abaixo do ritmo do início do ano.
Investimentos em IA e tecnologia sustentam otimismo
O destaque positivo veio dos investimentos empresariais em equipamentos de informática e software, que subiram 5,4% no trimestre. Empresas de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet têm anunciado bilhões de dólares em gastos de capital para ampliar seus data centers e desenvolver modelos de IA. “Os gastos em IA estão se acelerando e devem continuar apoiando o crescimento nos próximos trimestres”, afirmou Michael Gapen, economista-chefe do Bank of America Securities, em nota a clientes.
Mercado de trabalho e inflação monitorados
O relatório do PIB também mostrou que o deflator do consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 2,9% no segundo trimestre, ligeiramente abaixo dos 3,0% do primeiro trimestre. A taxa de desemprego permaneceu em 3,7%, perto do menor nível em 50 anos, o que sustenta a renda e o consumo das famílias. O Fed, que iniciou um ciclo de corte de juros em setembro, segue atento aos dados de atividade para calibrar a política monetária.
Perspectivas para o restante de 2024
Analistas esperam que a economia norte-americana continue crescendo em ritmo moderado, entre 1,5% e 2,0% anualizado nos próximos trimestres, impulsionada pelo consumo robusto e pelos investimentos em tecnologia. No entanto, a alta dos juros ainda pressiona setores como habitação e manufatura. O mercado de trabalho resiliente e a inflação em queda sustentam a confiança de que a economia evitará uma recessão.



