Indústria cai 0,2% em maio, frustra expectativas e interrompe alta de 4 meses
Indústria cai 0,2% em maio e frustra projeções

A produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento e frustrando as expectativas do mercado, que projetava alta de 0,3% no período. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Queda surpreende analistas

O resultado negativo veio em contraste com o desempenho recente do setor, que vinha acumulando ganhos desde janeiro. A mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg apontava para uma expansão de 0,3% em maio. O recuo de 0,2% representa uma frustração para analistas que esperavam a continuidade da recuperação industrial.

Na comparação com maio de 2024, a produção industrial apresentou alta de 1,2%, mas o dado veio abaixo da expectativa de 2,5% de crescimento anual. No acumulado do ano, a indústria acumula expansão de 2,1%.

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Impacto sobre o PIB

A queda da produção industrial em maio deve ter impacto negativo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O setor industrial responde por cerca de 20% da economia brasileira e sua contração pode comprometer o crescimento do período. Economistas consultados pelo Banco Central já revisaram para baixo as projeções de crescimento do PIB para 2025, que atualmente estão em torno de 2,5%.

“A indústria vinha dando sinais de recuperação, mas o dado de maio mostra que o ritmo ainda é frágil. A queda interrompe a tendência positiva e acende um alerta para o segundo trimestre”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da consultoria Necton.

Setores mais afetados

O IBGE informou que das 25 atividades pesquisadas, 14 registraram queda na produção em maio. Os destaques negativos foram os setores de veículos automotores (-2,8%), equipamentos de informática (-3,5%) e máquinas e equipamentos (-1,9%). Do lado positivo, as altas vieram de alimentos (0,8%) e bebidas (1,2%), impulsionadas pela safra agrícola.

Entre as categorias de uso, bens de capital recuaram 1,5%, bens intermediários tiveram queda de 0,3% e bens de consumo duráveis caíram 1,8%. Apenas bens de consumo semi e não duráveis tiveram alta, de 0,4%.

Perspectivas para os próximos meses

Apesar da queda em maio, analistas ainda esperam uma recuperação gradual da indústria no segundo semestre, impulsionada pela redução da taxa Selic e pela melhora do mercado de trabalho. No entanto, o cenário externo incerto e a desaceleração da economia global podem limitar o crescimento.

O Banco Central já indicou que deve manter a taxa básica de juros em 10,50% ao ano na próxima reunião, o que pode frear o investimento produtivo. “A indústria precisa de juros mais baixos para investir e ampliar a produção. Se o BC não cortar a Selic, o setor pode continuar patinando”, avaliou Perfeito.

O próximo dado da produção industrial, referente a junho, será divulgado pelo IBGE em 5 de agosto.

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