A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, conforme o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). A entidade prevê que a economia avançará em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.
Inflação e juros sob pressão
A CNI revisou para cima a projeção da inflação para 2026, de 4,4% para 5%, pressionada por alimentos, combustíveis e serviços. A expectativa para a taxa Selic também foi alterada: a previsão de cortes ao longo de 2026 caiu de três para dois, de 0,25 ponto percentual cada, com a taxa encerrando o ano em 13,75% ao ano (ante 12,75% estimado anteriormente). Os juros reais devem ficar em 9,2%, bem acima do juro neutro de 5%.
Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará sustentado por setores ligados a commodities e estímulos à demanda, mas alertou que a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais são entraves para uma expansão mais acelerada.
Indústria: extrativa puxa alta, transformação sofre
A projeção para o PIB industrial subiu de 1,6% para 2,1%, puxada pela indústria extrativa, que teve estimativa elevada de 7,8% para 9,1%, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo. Já a indústria de transformação teve leve alta de 0,3% para 0,6%, ainda pressionada pelo avanço das importações, juros altos e custos com a guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a CNI. A construção civil deve crescer 1,5%, impulsionada por crédito habitacional e investimentos em infraestrutura.
Agropecuária: safra recorde eleva projeção
A expectativa de nova safra recorde, especialmente de soja, e o crescimento da produção animal levaram a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária, de 1,1% para 1,8%. O setor de serviços, por outro lado, teve projeção reduzida de 2,1% para 1,9%, devido ao aumento da inadimplência, endividamento das famílias e juros elevados.
Cenário fiscal e externo
A CNI projeta déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026 e dívida pública de 82% do PIB. A receita líquida federal deve crescer 5,8% acima da inflação, mas as despesas federais sobem 4,5% acima da inflação, mantendo as contas no vermelho.
No cenário externo, a guerra no Oriente Médio continua sendo o principal risco, elevando custos de combustíveis, energia e fertilizantes. As importações de bens de consumo cresceram 16% no primeiro semestre, enquanto as exportações totais somam US$ 383,9 bilhões (alta de 9,5%), gerando superávit de US$ 77,9 bilhões (30,4%). A CNI alerta que tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem alterar esse cenário em 2026.



