BC eleva projeção do PIB para 2% e vê déficit em transações correntes de US$ 56 bi em 2026
BC eleva projeção do PIB para 2% e vê déficit de US$ 56 bi em 2026

O Banco Central elevou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 de 1,9% para 2%, conforme comunicado divulgado nesta quinta-feira. A revisão reflete a incorporação de medidas de estímulo econômico anunciadas pelo governo federal, que devem impulsionar a atividade nos próximos trimestres.

Projeções fiscais e externas

Além do crescimento, o BC também melhorou a estimativa para o déficit em transações correntes, reduzindo-o de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões. O ajuste se deve a uma expectativa mais favorável para a balança comercial e para a conta de serviços. Segundo a autoridade monetária, “os dados mais recentes indicam uma ligeira melhora nas contas externas, com reflexo do aumento das exportações e da redução do déficit de serviços”.

O mercado já esperava uma revisão positiva, após indicadores de atividade superarem as expectativas no primeiro trimestre. O PIB dos Estados Unidos, por exemplo, cresceu 2,1% no período, acima do consenso de 1,8%, o que também contribui para um cenário global mais aquecido.

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Impacto das medidas de estímulo

O BC destacou que as medidas de estímulo do governo, como a liberação de recursos para investimentos e a ampliação de programas sociais, devem adicionar cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento do PIB em 2026. “Essas ações têm potencial para sustentar a demanda agregada, especialmente no segundo semestre”, afirmou o diretor de Política Econômica, em nota.

No entanto, a instituição alertou para riscos inflacionários. A chance de estouro do teto da meta de inflação em 2026 é de 79%, segundo o BC, o que pode exigir aperto monetário adicional. “Ajuste virá na marra”, comentou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, em referência à disparada do dólar, que comparou ao período do governo Dilma Rousseff.

Mercados e setores

As projeções do BC influenciaram os mercados nesta quinta. A Vale, B3, Sanepar, Klabin, BTG e BB Seguridade estão entre as ações recomendadas por analistas para seguir hoje. A Sanepar, inclusive, decidiu não distribuir proventos no primeiro semestre de 2026, o que pegou o mercado de surpresa.

No cenário internacional, o petróleo caiu 1%, atingindo o menor nível desde o início da guerra na Ucrânia, com a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz. Já a Braskem iniciou processo de mediação e pediu cautelar para se proteger contra credores, enquanto a Klabin aprovou programa de recompra de até 31,25 milhões de units.

Perspectivas para investidores

Para os investidores, a elevação do PIB e a melhora nas contas externas são sinais positivos, mas a alta probabilidade de inflação acima da meta e o cenário externo incerto exigem cautela. “Um sinal positivo, mas três para ter cautela após tombo de US$ 1,3 tri em Wall Street”, resume análise do mercado.

O BC também informou que o Brasil planeja sua maior estreia em emissão de títulos em iuanes, como forma de “testar” o mercado chinês. A operação deve ocorrer ainda neste semestre, segundo fontes.

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