O mercado de flores no Brasil movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, mas 80% das flores consumidas no país são importadas, principalmente da Holanda, Colômbia e Equador. Esse cenário revela um potencial imenso para a produção nacional, que ainda enfrenta desafios de escala, tecnologia e certificação.
Origem e rastreabilidade como diferencial
A rastreabilidade é um dos principais gargalos para a expansão do mercado interno. Segundo a Associação Brasileira de Floricultura (ABF), apenas 20% das flores vendidas no Brasil têm origem certificada. “O consumidor final quer saber de onde vem a flor, como foi cultivada e se há respeito ao meio ambiente. Isso agrega valor e pode abrir novos mercados”, afirma José Eduardo de Oliveira, presidente da ABF.
Potencial do Cerrado e do Nordeste
Regiões como o Cerrado e o Nordeste têm condições climáticas favoráveis para o cultivo de flores tropicais e de clima temperado. O município de Holambra (SP) responde por 40% da produção nacional, mas novas áreas no Ceará e na Bahia vêm ganhando destaque. “O Brasil pode se tornar um grande exportador, mas precisa investir em tecnologia pós-colheita e logística”, explica Oliveira.
Certificação e mercado externo
A certificação internacional, como a GlobalG.A.P., é exigida por grandes compradores europeus. Atualmente, menos de 5% dos produtores brasileiros possuem esse selo. “Sem certificação, ficamos limitados ao mercado interno e a países vizinhos. Perdemos oportunidades na Europa e nos Estados Unidos”, lamenta o presidente da ABF.
Inovação e sustentabilidade
Startups brasileiras têm desenvolvido soluções para rastreabilidade via blockchain e aplicativos que conectam produtores a varejistas. A empresa Flor do Campo, de Minas Gerais, já utiliza sensores para monitorar umidade e temperatura durante o transporte, reduzindo perdas em 30%.
Impacto econômico e social
O setor emprega diretamente 200 mil pessoas no Brasil, a maioria em pequenas propriedades rurais. Aumentar a produção nacional poderia gerar mais 50 mil empregos nos próximos cinco anos, segundo estimativas do Ministério da Agricultura. “É um mercado que movimenta desde o pequeno produtor até grandes redes de supermercado. A flor é um negócio de alto valor agregado”, destaca Oliveira.
Apesar do potencial, o Brasil ainda não vê esse mercado com a devida atenção. A falta de políticas públicas específicas e de linhas de crédito para o setor são entraves apontados por especialistas. “Precisamos de um plano nacional de desenvolvimento da floricultura, com estímulo à pesquisa e à exportação”, conclui o presidente da ABF.



