O Banco Central elevou sua projeção de alta do PIB para 2026 de 1,8% para 2%, citando medidas de estímulo do governo. No entanto, a autoridade monetária também alertou que a chance de estouro do teto da meta de inflação no mesmo ano é de 79%, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira.
Projeções de crescimento e inflação
O BC melhorou a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mas manteve a taxa básica de juros Selic em 14,25% ao ano, em meio a pressões inflacionárias. A meta de inflação é de 3% ao ano, com teto de 4,5%. A probabilidade de estouro do teto foi calculada com base no modelo de projeções do Banco Central.
“Ajuste virá na marra”, afirmou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, em comentário sobre a disparada do dólar, que comparou ao período do governo Dilma Rousseff. Para ele, a moeda americana deve continuar pressionando a inflação.
Medidas de estímulo e impacto fiscal
O BC citou explicitamente as medidas de estímulo do governo federal como fator para a revisão do PIB. Entre elas, estão programas de crédito e investimentos públicos. Contudo, o mercado financeiro reage com cautela: o dólar comercial fechou a R$ 5,85, em alta de 0,8%.
O governo também planeja a maior estreia em emissão de títulos em iuanes, como forma de “testar” o mercado chinês. A operação deve ocorrer nas próximas semanas, segundo fontes do Ministério da Fazenda.
Reações do mercado
A B3 operava em queda de 0,5% no início da tarde, enquanto as ações da Vale subiam 0,3%. O BTG Pactual recomendou cautela com papéis de saneamento, como Sanepar, que decidiu não distribuir proventos no primeiro semestre de 2026. Já a Klabin aprovou programa de recompra de até 31,25 milhões de units.
Nos Estados Unidos, o PIB do primeiro trimestre subiu 2,1%, acima do esperado pelo mercado, reforçando a resiliência da economia americana.
Setor externo e commodities
O petróleo caiu 1% e atingiu preço pré-guerra, com a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz. A Braskem iniciou processo de mediação e pediu cautelar para proteção contra credores, enquanto o Grupo Mover recebeu nova oferta vinculante do Bradesco BBI por participação na Motiva.
O BC também melhorou a projeção de déficit em transações correntes em 2026 para US$ 56 bilhões, ante US$ 58 bilhões anteriores.



