Petrobras atinge recorde de produção e refino no 2º tri de 2026
Petrobras atinge recorde de produção e refino no 2º tri

A Petrobras divulgou na noite de terça-feira (28) seus dados operacionais do segundo trimestre de 2026, que vieram em linha ou ligeiramente abaixo das expectativas das principais casas de análise, mas reforçaram uma leitura amplamente positiva para os resultados do período. O principal destaque foi o avanço da produção de petróleo, impulsionado pelo pré-sal e pela entrada de novas plataformas, em um ambiente ainda beneficiado por preços mais elevados do petróleo e forte desempenho das refinarias.

Produção recorde e pré-sal como motor

A produção total de óleo e gás alcançou 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no trimestre, atingindo marca recorde de produção própria, com alta de 3,5% na comparação trimestral e de cerca de 14% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de petróleo atingiu 2,689 milhões de barris por dia, avanço de 4,1% frente ao primeiro trimestre e de 15% ano contra ano.

O crescimento operacional teve como principal vetor o pré-sal, cuja produção alcançou 2,299 milhões de barris por dia, alta de 5% na comparação trimestral. O desempenho refletiu principalmente o ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, além do início da produção do FPSO P-79 em Búzios e da entrada de novos poços na Bacia de Santos.

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O JPMorgan destacou que Búzios continua sendo o principal ativo da companhia. O campo bateu recorde de produção em junho e o início antecipado da operação do FPSO P-79 — cerca de três meses antes do previsto no plano estratégico — é visto como um sinal positivo de execução.

Perspectivas de crescimento e estoques

Para a XP, a tendência é de continuidade do crescimento da produção nos próximos trimestres, sustentada pela entrada gradual de novos sistemas de produção e pelo avanço das unidades já instaladas. A corretora também chama atenção para uma redução de estoques de aproximadamente 198 mil barris por dia durante o trimestre, fator que pode contribuir positivamente para os resultados financeiros.

Refino em nível histórico

Outro ponto que chamou atenção foi o desempenho do segmento de refino. A taxa de utilização das refinarias chegou a 101%, recorde histórico da Petrobras, contra 95% no primeiro trimestre. A produção de derivados avançou para 1,918 milhão de barris por dia, crescimento de aproximadamente 6% na comparação trimestral.

Segundo o Bradesco BBI, a maior utilização do parque de refino permitiu reduzir substancialmente a necessidade de importação de combustíveis, especialmente diesel, cujas importações recuaram 63% na comparação trimestral. Ao mesmo tempo, a Petrobras ampliou suas exportações de petróleo bruto, que cresceram 12% frente ao primeiro trimestre e 44% em relação ao ano anterior.

O Goldman Sachs observou que o aumento da produção doméstica de derivados também reduziu a dependência externa do país para abastecimento de diesel, enquanto as exportações passaram a ter maior diversificação geográfica, com menor participação da China e aumento das vendas para Índia, Europa e demais mercados asiáticos.

Petróleo mais caro impulsiona resultados financeiros

Se o crescimento operacional já era esperado, o principal catalisador para os números financeiros do trimestre continua sendo o petróleo. Durante o segundo trimestre, o Brent registrou média próxima de US$ 97 por barril, cerca de 24% acima do observado no primeiro trimestre, impulsionado principalmente pelo aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

A XP projeta um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 17,6 bilhões e lucro líquido de US$ 8 bilhões. O BBA tem projeção de Ebitda de US$ 18,4 bilhões, o BBI entre US$ 18 bilhões e US$ 19 bilhões e o Goldman Sachs tem projeção menor, de Ebitda ajustado de US$ 17 bilhões.

O Itaú BBA classificou a Petrobras como um dos principais destaques positivos da temporada de resultados do setor de petróleo e gás, sustentado pela combinação de preços mais altos do petróleo, desempenho operacional consistente e receitas domésticas fortalecidas.

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Dividendos e capital de giro

Apesar da perspectiva de forte geração operacional de caixa, as estimativas indicam que parte desse efeito foi consumida pelo aumento do capital de giro. A principal razão é o programa de subsídios aos combustíveis, que gerou recebíveis relevantes que ainda não foram convertidos em caixa e deverão ser monetizados apenas no terceiro trimestre.

Ainda assim, as projeções para dividendos permanecem elevadas. A XP e o BBI projetam dividendos ordinários de US$ 3 bilhões, equivalente a retorno trimestral de 2,9%. Já o BBA tem projeção de US$ 3,1 bilhões, enquanto o Goldman Sachs tem visão de US$ 3,4 bilhões em dividendos ordinários. A XP projeta fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de US$ 3,7 bilhões no trimestre, o que representa um retorno de 3,6% apenas no período.

Recomendações e perspectivas

Em termos de recomendação, o cenário continua majoritariamente construtivo para a Petrobras. O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 51,40 para PETR4, enxergando combinação atrativa entre crescimento orgânico de produção e elevados dividendos futuros. O banco projeta yield de dividendos de cerca de 16% para 2027.

Já o Bradesco BBI mantém recomendação neutra para PETR4, com preço-alvo de R$ 50. Apesar da avaliação mais cautelosa, o banco vê os números operacionais do trimestre como compatíveis com um EBITDA de US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões e dividendos próximos de US$ 3 bilhões.

A Petrobras divulga seus resultados financeiros em 6 de agosto, com projeções positivas apoiadas por três pilares: crescimento consistente da produção, Brent significativamente mais alto e operação recorde de refino. O principal ponto de atenção permanece sendo o efeito temporário dos subsídios sobre o capital de giro, mas sem comprometer a expectativa de uma distribuição relevante de dividendos aos acionistas.