Gabrielli defende estatais em evento na contramão da Faria Lima
Gabrielli defende estatais na contramão da Faria Lima

O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, fez uma defesa enfática do papel das empresas estatais durante um evento realizado no Rio de Janeiro, no último dia 15. Sua fala foi na contramão do discurso predominante na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, que costuma pregar a privatização como solução para a eficiência econômica.

Gabrielli critica visão da Faria Lima sobre estatais

Gabrielli argumentou que as estatais brasileiras, especialmente a Petrobras, têm um papel estratégico no desenvolvimento nacional. Segundo ele, a visão de que empresas públicas são intrinsecamente ineficientes é um equívoco. "As estatais podem e devem ser eficientes, desde que bem geridas e com objetivos claros", afirmou.

O ex-presidente da Petrobras destacou que, durante sua gestão, a empresa alcançou recordes de produção e lucratividade. "Em 2010, a Petrobras produziu 2,6 milhões de barris de petróleo por dia, um recorde histórico", lembrou. Ele atribuiu esse desempenho a investimentos e à capacidade técnica da empresa.

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O contraste com a Faria Lima

A Faria Lima, epicentro do mercado financeiro brasileiro, tem sido um polo de defesa de privatizações e redução do tamanho do Estado. Para Gabrielli, essa visão ignora o papel das estatais em setores estratégicos como energia, infraestrutura e defesa. "Não se pode tratar a Petrobras como uma empresa qualquer. Ela é fundamental para a soberania nacional", disse.

Gabrielli também criticou a política de preços da Petrobras adotada nos últimos anos, que seguiu o mercado internacional. "A política de paridade de preços internacionais (PPI) foi um erro. Ela prejudicou a economia brasileira e a população", afirmou. Segundo ele, a empresa deveria ter uma política que considerasse os custos internos e o desenvolvimento do país.

Impacto no debate econômico

A fala de Gabrielli reacende o debate sobre o papel do Estado na economia. Enquanto a Faria Lima defende a abertura e a privatização, setores mais desenvolvimentistas argumentam que as estatais são instrumentos de política industrial e inclusão social. O ex-presidente da Petrobras ressaltou que a empresa gerou milhões de empregos diretos e indiretos e contribuiu para o desenvolvimento de cadeias produtivas.

"A Petrobras não é só uma empresa de petróleo. Ela é um polo de inovação e tecnologia", completou. Gabrielli defendeu que o Brasil precisa de um modelo de desenvolvimento que combine eficiência econômica com soberania nacional, algo que, para ele, as estatais podem oferecer.

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