As ações da montadora alemã de luxo BMW registraram uma queda de aproximadamente 7% nesta quarta-feira, após a empresa divulgar, na noite de terça-feira, um alerta sobre os lucros. Segundo analistas, o movimento pode sinalizar uma reformulação estratégica mais ampla, incluindo cortes de capacidade na Europa.
Motivos do alerta
A BMW atribuiu a revisão para baixo em suas perspectivas à prolongada fraqueza na China, o maior mercado automotivo do mundo, e ao impacto da guerra no Irã sobre os preços e o ânimo dos consumidores. Analistas do Deutsche Bank e da Jefferies afirmaram que a revisão foi significativamente maior do que o esperado.
A queda nos preços nesta quarta-feira levou as ações da BMW ao seu nível mais baixo desde novembro de 2020 e pressionou todo o setor automotivo europeu, incluindo as rivais alemãs Volkswagen e Mercedes-Benz.
Detalhes do alerta
Além de reduzir sua margem operacional no setor automotivo de 4% a 6% para 1% a 3%, a BMW informou que intensificará os cortes de custos, com um impacto negativo pontual no segundo semestre de 2026. O alerta de lucros foi descrito pelos analistas do JP Morgan como radical, especialmente por ter sido divulgado apenas seis semanas depois de a empresa confirmar suas perspectivas durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
Impacto na liderança
Este é um mau começo para o presidente-executivo Milan Nedeljkovic, que assumiu o cargo no mês passado, substituindo o líder de longa data Oliver Zipse. “Após três alertas de lucros nos últimos dois anos, todos em grande parte relacionados à China, a imagem da BMW como a ‘marca estável’ do setor automotivo claramente sofreu um golpe”, escreveram analistas do Deutsche Bank em uma nota.
Possível reestruturação
A corretora Jefferies afirmou que espera que a reestruturação afete principalmente as operações da BMW na Alemanha e possa acelerar a localização em mercados como a China e a América do Norte, a fim de proteger as margens e evitar exportações da Alemanha. Isso poderia resultar no anúncio de um corte de 10% a 15% na capacidade durante o ‘Capital Markets Day’ da empresa, ainda este ano, escreveram os analistas do JP Morgan.



