Pacientes que buscam atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Renascença, localizada na Zona Sudeste de Teresina, denunciam uma situação crítica de superlotação, demora excessiva e falta de medicamentos. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas deitadas no chão enquanto aguardam por atendimento médico.
Relatos de pacientes
Segundo relatos, a espera pode ultrapassar quatro horas, mesmo em casos considerados urgentes. O líder comunitário Ricardo Campos, em entrevista à TV Clube, descreveu o cenário como caótico: todos os corredores e macas da unidade estão ocupados, e pacientes são obrigados a deitar no chão por falta de alternativa. “É caótico, é crítico você ver uma pessoa que vem para cá buscando dignidade, escapar com vida e, se quiser ter o mínimo de descanso, tem que deitar no chão, porque todas as macas, corredores e leitos estão ocupados. A população não tem alternativa, a única coisa que a pessoa pode fazer é vir para o abatedor e pedir a Deus que escape com vida”, afirmou.
Francisca das Chagas, que acompanhava a filha, relatou que a espera pelo atendimento superou cinco horas. Ela contou que dois filhos estão com suspeita de dengue, mas um deles preferiu ficar em casa. “Triste, lamentável você passar mais de cinco horas para um atendimento, para tomar uma dipirona, que não tem outro remédio. [...] Estou preocupada porque tô com ela e com outro filho em casa com o mesmo sintoma. É melhor ficar em casa mesmo do que vim enfrentar essa fila toda pra tomar dipirona”, disse.
Falta de itens básicos e problemas estruturais
De acordo com pacientes ouvidos pela TV Clube, faltam itens básicos na unidade, como medicamentos, cadeiras para espera, leitos disponíveis e copos para beber água. Além disso, há relatos de problemas na estrutura, como ar-condicionado quebrado e calor excessivo no ambiente.
Nota da Fundação Municipal de Saúde (FMS)
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) emitiu nota oficial para esclarecer a situação. Segundo o comunicado, a UPA Renascença tem registrado aumento expressivo na demanda por atendimentos ortopédicos, especialmente devido a acidentes de trânsito e quedas, o que impacta diretamente a disponibilidade de leitos. Os pacientes mencionados nos vídeos são vítimas de trauma que necessitam de procedimentos ortopédicos a serem realizados no Hospital da Polícia Militar (HPM), Hospital Universitário (HU) ou Hospital de Urgência de Teresina (HUT), e aguardam vagas para transferência.
A FMS destacou que o HUT é o único hospital de referência para urgência e emergência de alta complexidade na capital, recebendo pacientes de Teresina e de todo o estado. A fundação defendeu a ampliação da participação do governo estadual na oferta de leitos de retaguarda no Hospital Getúlio Vargas (HGV) e no HPM. Atualmente, o HPM dispõe de 26 leitos para suporte da rede de urgência, mas recebe em média apenas 19 pacientes por mês vindos do HUT.
Como medidas para amenizar a situação, a direção da UPA Renascença, em conjunto com a FMS, adotou ações para otimizar o fluxo assistencial e ampliar o encaminhamento para outros hospitais municipais. O HUT também passou a realizar cirurgias ortopédicas aos domingos. Na próxima semana, está prevista uma reunião técnica com especialistas para avaliar novas estratégias.
A FMS reconheceu os desafios e reafirmou seu compromisso com o fortalecimento da rede assistencial, a qualificação dos serviços e a ampliação do acesso digno à saúde. A fundação também reforçou a necessidade de intensificar ações de educação e segurança no trânsito, já que parte significativa da demanda ortopédica decorre de acidentes evitáveis.
*Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.



