As atenções dos gestores de fundos globais e locais estão concentradas em temas relacionados a juros e ao desenvolvimento da inteligência artificial, conforme revela a 1ª Pesquisa Investimentos Temáticos Globais da XP Investimentos. O levantamento ouviu 37 gestores que administram US$ 5,5 trilhões em recursos. Desse total, 57% são gestoras brasileiras com estratégias globais, 27% com estratégias exclusivamente locais e 16% estrangeiras com acesso ao investidor brasileiro.
Juros e inteligência artificial lideram forças macroeconômicas
Segundo a pesquisa, realizada entre 1º e 7 de julho, os juros elevados e a aceleração do ciclo de investimento em IA e infraestrutura global são apontados como as principais forças macroeconômicas nas decisões temáticas, ambas com 38% das respostas das gestoras. A fragmentação política e a reconfiguração das cadeias globais aparecem com 16%, as mudanças demográficas com 5% e a deterioração fiscal de economias desenvolvidas com apenas 3%.
A pesquisa também mostra que 51% das gestoras afirmam que os juros afetam a avaliação dos ativos, mas não abalam a convicção nos fundamentos das teses estruturais. Apenas 16% reduziram exposição a temas mais sensíveis à taxa de juros. Em relação ao ciclo da IA, 51% das casas consideram que ele está em maturação, 32% avaliam que está apenas no início, e apenas 14% veem o mercado em alta excessiva, reduzindo a visão de uma bolha.
Geopolítica e minerais críticos abrem oportunidades para o Brasil
A maioria das gestoras (57%) enxerga o risco geopolítico da concentração de minerais críticos na China e de semicondutores em Taiwan como uma oportunidade para produtores alternativos. Isso abre espaço para o Brasil em terras raras e outras commodities. O Brasil e a América Latina lideram a preferência em minerais críticos, com 83% das gestoras citando a região, seguidas por energia e transição energética (72%) e infraestrutura e ativos reais (62%).
Os Estados Unidos lideram em IA e tecnologia (86% das respostas), defesa (78%) e saúde (77%). A região também é a segunda preferida no tema de investimentos em saúde e longevidade (34% das gestoras), ao lado da Europa e atrás dos EUA.
Vantagens comparativas do Brasil em energia, agronegócio e infraestrutura
Na pesquisa, 70% das gestoras citam as vantagens comparativas do Brasil e da América Latina nas oportunidades em energia, com renováveis, biocombustível e o pré-sal. O agronegócio e segurança alimentar aparece em 62% das gestoras, minerais críticos em 57%, infraestrutura e logística em 35% e saúde e longevidade em 22%. Apenas 19% dos gestores afirmaram não identificar vantagens comparativas relevantes na região.
Na área de investimento em infraestrutura, o setor digital, com data centers como ativo real, lidera com 43% das preferências dos gestores, seguido de perto pelo setor hídrico e de saneamento (41%) e logística e transporte (41%).
Ativos digitais e criptomoedas ainda não são prioridade
Os investimentos em ativos digitais e tokenização de ativos reais não estão entre as prioridades da maioria das gestoras. 57% afirmam que não têm posições relevantes, mas monitoram o segmento, enquanto 35% dizem que o tema não está no radar da casa. Apenas 8% possuem estratégias ativas em cripto e ativos digitais.
Reversão do consenso de dólar fraco e questionamento sobre IA
O estudo mostra uma reversão do consenso de dólar fraco e rotação para fora dos Estados Unidos que havia nas teses de 12 meses atrás. Isso fez com que parte das gestoras desmontasse posições e voltasse a concentrar risco no mercado americano. Houve também o abandono da expectativa de um ciclo de cortes de juros mais agressivo no Brasil e no mundo. Além disso, há questionamento das avaliações na infraestrutura de IA e nas hyperscalers, como Amazon, Google e Meta, diante do aumento de investimentos além do esperado e dúvidas sobre o retorno desses investimentos, embora a maioria mantenha visão construtiva no longo prazo para o segmento.



