José Rocha, CIO da Dahlia Capital, alerta que as políticas de Donald Trump estão redesenhando a ordem mundial e o fluxo de investimentos. Para o gestor, essa virada cria uma força estrutural que enfraquece o dólar globalmente, impactando diretamente o preço dos ativos brasileiros.
O cabo de guerra cambial
Rocha descreve um “cabo de guerra” cambial: uma pressão estrutural de baixa contra uma força de curto prazo que segura a moeda no topo. A análise baseia-se no fim da “Pax Americana”, iniciada em 1944 em Bretton Woods, quando o dólar tornou-se a reserva do planeta.
China de aliada a competidora
Após décadas de abertura da China para conter a inflação, a pandemia de 2020 mudou drasticamente a visão de Washington sobre o rival. “A China deixa de ser um aliado útil e passa a ser um competidor perigoso”, afirma Rocha, citando o avanço do protecionismo americano.
Capital estrangeiro volta para casa
Esse cenário faz o capital estrangeiro “voltar para casa”, com grandes fundos globais reduzindo drasticamente a compra de títulos dos EUA. Sem energia russa barata e com menor confiança na OTAN, países da Europa e Ásia reciclam menos capital para a economia americana.
Efeito no câmbio brasileiro
O efeito prático foi visto no câmbio: o real saiu de R$ 6,20 para R$ 5,00 devido à fraqueza externa do dólar, e não por méritos domésticos. Entretanto, investimentos maciços em infraestrutura e inteligência artificial mantêm a economia dos EUA aquecida no curto prazo.
Micro dita o macro
Rocha aponta que o volume bilionário de capital é tamanho que, hoje, o “micro” passou a ditar a dinâmica do “macro”. Essa força econômica pontual pode obrigar o Fed a manter juros elevados, impedindo, por ora, uma queda mais acentuada da moeda.



