O comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, maior empregador do Brasil com 18,2% dos trabalhadores assalariados, paga um salário médio de R$ 2.797,83, valor inferior à média nacional de R$ 3.932,45. O dado faz parte do relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Seis dos dez maiores setores pagam abaixo da média
O levantamento analisou 20 atividades com base em dados de 2024. Os dez setores que mais empregam concentram mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados, mais de 90% do total do país. Entre eles, pelo menos seis pagam salários abaixo da média nacional.
O segmento de atividades administrativas e serviços complementares, segundo maior empregador, com 10,6% dos assalariados (5,7 milhões), paga uma média mensal de R$ 2.392,97. Esse valor só não é menor que o do setor de alojamento e alimentação, que paga, em média, R$ 2.080,17.
Setores com menores salários
Além do comércio e reparação de veículos, outros setores com salários baixos incluem: construção (R$ 2.830,00), indústrias de transformação (R$ 3.200,00) e agricultura (R$ 2.500,00). Esses setores empregam milhões de trabalhadores, mas oferecem remunerações aquém da média.
Setores com maiores salários empregam menos
Na outra ponta, setores que concentram menos de 3% dos trabalhadores apresentam os maiores salários médios. O principal destaque é o de organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, que representa cerca de 0,1% dos assalariados e paga em média R$ 9.678,61 — quatro vezes mais do que o setor de alojamento e alimentação.
O segmento de eletricidade e gás concentra cerca de 0,25% dos assalariados e paga, em média, R$ 8.539,07 por mês. Em seguida aparece o setor de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com cerca de 1,3 milhão de trabalhadores e salário médio de R$ 8.430,55.
Número de empresas cresce no Brasil
O levantamento do IBGE mostrou ainda que havia cerca de 10,6 milhões de empresas e outras organizações formais ativas no país em 2024, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior. Essas organizações empregaram cerca de 68 milhões de pessoas no ano, sendo 54 milhões assalariadas.
Do total de empresas do país, 93% (9,9 milhões) são de pequeno porte, com até nove funcionários. Esse segmento também foi responsável por grande parte do crescimento no número de empresas, com alta de 6,1% no período.
Diploma de ensino superior aumenta salário em R$ 5 mil
O relatório mostra que trabalhadores com nível superior, embora representem apenas 23,6% dos assalariados, recebem em média cerca de R$ 5 mil a mais que aqueles com formação até o ensino médio. Enquanto trabalhadores com ensino superior ganhavam, em média, R$ 7.776,59, os que tinham formação até o ensino médio recebiam cerca de R$ 2.742,41. Isso significa que trabalhadores com ensino superior ganham quase três vezes mais do que aqueles sem graduação.
Na análise por gênero, os homens receberam, em média, salários 16,6% maiores que os das mulheres em 2024. O salário médio deles ficou em R$ 4.206, enquanto o valor recebido por elas foi de R$ 3.608,04. Além de receberem salários maiores, os homens também representavam a maior parte do pessoal ocupado assalariado, com 29,3 milhões de pessoas.
Distrito Federal tem a maior média salarial
As diferenças de renda também aparecem na distribuição regional. O Distrito Federal é a unidade federativa com o maior salário médio mensal, de R$ 6.845,13. O valor é cerca de R$ 2,3 mil maior do que o salário médio do Rio de Janeiro, que aparece em segundo lugar, com média de R$ 4.501,35. São Paulo aparece em terceiro lugar, com salário médio de R$ 4.423,04.



