O real registrou uma queda de quase 3% em junho, no pior mês do ano, impactado pela postura mais dura do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, que elevou as expectativas de juros nos Estados Unidos. A moeda brasileira tornou-se um 'dano colateral' da turbulência externa e de incertezas fiscais internas.
Fed mais duro pressiona moedas emergentes
O tom mais agressivo de Kevin Warsh sobre a inflação impulsionou as apostas em juros mais altos nos EUA, fortalecendo o dólar globalmente. Como consequência, o real caiu quase 3% em junho, acumulando desvalorização no ano. Segundo analistas, a moeda brasileira foi a mais afetada entre as principais emergentes no período.
Decisão confusa do Banco Central agrava cenário
Internamente, a decisão do Banco Central brasileiro de cortar a taxa Selic, ao mesmo tempo em que alertou sobre riscos inflacionários, gerou confusão no mercado. 'A comunicação contraditória do BC minou a credibilidade da política monetária', afirmou um economista consultado. A medida contrastou com o aperto nos EUA e aumentou a pressão sobre o real.
Fatores externos e internos ampliam perdas
Além do Fed, a queda dos preços do petróleo e a redução global de posições em portfólios de risco contribuíram para a desvalorização. No front doméstico, as incertezas fiscais, com discussões sobre o teto de gastos, também pesaram. O real encerrou junho cotado a R$ 5,40 por dólar, uma baixa de 2,8% no mês.



