Os preços dos imóveis novos subiram 10,06% nos 12 meses encerrados em maio, superando o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que avançou 6,17% no mesmo período. A conclusão é do Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, relatório inédito elaborado pelo Sienge, ecossistema de softwares da Starian, em parceria com o Grupo OLX, CV CRM e Nomad.
Capacidade de repasse e resiliência do setor
Segundo o estudo, incorporadoras e construtoras têm conseguido repassar parte dos aumentos de custos aos preços finais, sustentando a rentabilidade mesmo com a manutenção da Selic em patamar elevado. O desempenho sugere que, no agregado, as empresas absorveram pressões da cadeia produtiva sem comprometer completamente suas margens. No entanto, o cenário é heterogêneo entre regiões e insumos.
Disparidades regionais nos preços
O Rio de Janeiro liderou a valorização dos lançamentos monitorados pelo Índice de Lançamentos Imobiliário (ILI) DataZAP, com alta de 68,51% em 12 meses e preço médio de R$ 19.445 por metro quadrado. Fortaleza registrou valorização de 52,73%, enquanto Florianópolis avançou 26,13%. Em São Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis no período.
Custos: fio de cobre dispara, aço cai
Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, alerta para um equívoco comum: confundir custo com inflação média. “O custo não pode ser tratado como inflação média, mas sim como risco específico variável, a depender do insumo, da região, da etapa da obra e do momento da compra. Considerar apenas o INCC faz com que você subdimensione o impacto do insumo que realmente está fazendo a obra custar mais, como vimos com o fio de cobre”, afirmou.
O Índice de Preço de Materiais de Construção (IPMC), do Sienge, mostra forte disparidade: nos 12 meses até maio, o fio de cobre acumulou alta de 30,72%, enquanto o cimento avançou 14,96%. Em sentido oposto, aço e argamassa registraram quedas de 0,63% e 2,30%, respectivamente. A mão de obra avançou próximo de 9%, segundo o INCC.
Demanda aquecida, mas ainda cautelosa
O Anuário DataZAP indica que 82% dos interessados em imóveis estão nas fases de descoberta ou busca ativa, enquanto apenas 11% se encontram em negociação e 6% próximos da conclusão da compra. Além disso, 91% dos consumidores consideram imóveis usados durante o processo de escolha, enquanto apenas 16% avaliam lançamentos ou unidades na planta. Isso obriga os novos empreendimentos a justificar a diferença de preço por meio de localização, projeto, tecnologia ou potencial de valorização.
Perspectivas para 2026
O Radar da Construção projeta que o setor deve atravessar o ano em trajetória de recuperação, mas distante de um ciclo de expansão generalizada. A manutenção da Selic em patamar elevado ao longo de 2026 manterá o custo de capital como uma das principais variáveis, impactando negativamente o financiamento das obras e a capacidade de compra das famílias de média renda, que dependem de crédito imobiliário. Por outro lado, imóveis econômicos continuam beneficiados por programas habitacionais e fontes subsidiadas, enquanto o segmento de alto padrão permanece menos dependente dos bancos.



