O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro Pix voltou ao centro das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Após a Suprema Corte americana limitar parte do arcabouço usado pelo governo Trump para impor tarifas, a Casa Branca reacendeu investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O Pix aparece entre os temas analisados pelo Office of the United States Trade Representative (USTR).
A investigação foi aberta em julho de 2025, a pedido de Donald Trump, e tem escopo amplo. O governo americano afirma analisar 'atos, políticas e práticas do governo brasileiro' relacionados a serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo, que poderiam gerar vantagens competitivas. A apuração ocorre poucos dias após Trump ameaçar impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, em agosto do ano passado.
Enquanto isso, o Federal Reserve dos EUA abriu consulta pública para ampliar o uso do FedNow, o sistema de pagamentos instantâneos americano, permitindo a atuação de intermediários nas transferências. A mudança pode facilitar pagamentos transfronteiriços, em um momento em que soluções em tempo real se tornam estratégicas na disputa global por infraestrutura financeira.
Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix rapidamente se tornou a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil, com cerca de 170 milhões de usuários, aproximadamente 90% da população adulta. O sistema responde hoje por mais da metade das transações de pagamento no país, superando dinheiro e cartões de débito.
Especialistas destacam que o Pix não foi criado como política de proteção de mercado, mas como infraestrutura pública. 'Do ponto de vista regulatório, não há fundamento técnico claro para enquadrar o Pix como prática comercial desleal', afirma Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil. A investigação pode durar até 12 meses, com possibilidade de prorrogação.



