A semana começa com forte movimento nos mercados globais. O petróleo Brent despencou 9%, fechando abaixo de US$ 90, após uma pausa no conflito no Oriente Médio que aliviou os temores de interrupção no fornecimento. A queda derrubou as bolsas, com o Ibovespa perdendo força após abrir em alta. Investidores monitoram ainda uma série de rebaixamentos no setor financeiro e a estreia estrondosa de uma fabricante chinesa de chips.
Petróleo em queda livre
O barril do Brent recuou 9%, cotado a US$ 89,50, pressionado pela expectativa de uma trégua no conflito entre Israel e Hamas. A movimentação ocorre após declarações de mediadores internacionais indicando avanço nas negociações. Analistas destacam que a descompressão do prêmio de risco geopolítico levou a uma forte realização de lucros, após o petróleo ter subido mais de 15% nas últimas semanas.
A queda impactou diretamente as ações da Petrobras (PETR4), que caíram mais de 3% na B3. A estatal também foi destaque negativo entre as blue chips do Ibovespa. No entanto, a petroleira deve se beneficiar de preços ainda elevados no longo prazo, segundo relatórios de mercado.
Bancos e seguradoras sob pressão
O setor financeiro amanheceu com rebaixamentos de ratings pelo Morgan Stanley. O banco cortou a recomendação de BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto Seguro (PSSA3) de compra para neutro, citando valuation apertado e menor potencial de crescimento. As ações das três empresas caíram entre 2% e 4% no pregão.
Já o JPMorgan rebaixou a Isa Energia (ISAE4) de compra para neutro, argumentando que a empresa tem menos espaço para valorização após forte alta recente. A ação da elétrica recuou 1,5%.
Em contrapartida, a WEG (WEGE3) recebeu dupla elevação de analistas, que classificaram a ação como compra, citando uma “nova fase de crescimento” impulsionada por contratos de energia limpa. A empresa fechou um acordo com a Engie para ampliação da usina hidrelétrica Jaguara, reforçando sua presença no setor.
Estreia chinesa dispara 470%
Na China, a fabricante de chips CXMT fez sua estreia na bolsa de Xangai com uma valorização impressionante de 470%. A empresa é uma das principais produtoras de memórias DRAM do país e se beneficia do esforço de Pequim para reduzir a dependência de semicondutores estrangeiros. O movimento chamou atenção de investidores globais para o setor de tecnologia asiático.
Ibovespa e câmbio
O Ibovespa operava em baixa de 0,8% por volta das 15h, aos 128.500 pontos, pressionado pela queda das commodities e pelo setor financeiro. O dólar subia 0,3%, cotado a R$ 5,20, com investidores cautelosos antes de decisões de juros nos Estados Unidos.
No mercado de juros futuros, as taxas dos DIs recuavam levemente, após o mercado reduzir a projeção para a inflação de 2026 pela quarta semana consecutiva. A mediana das expectativas para o IPCA caiu de 4,10% para 4,05%, segundo o boletim Focus.
Outros destaques
A Ultrapar (UGPA3) atingiu máxima histórica de R$ 28,50, impulsionada por expectativas de forte geração de caixa. Já a Engie (EGIE3) aproximou-se da sobrevenda técnica, segundo o IFR, indicando possível reversão de curto prazo.
No setor de seguros, um levantamento mostrou que 85% dos moradores de favelas têm interesse em contratar seguro de vida, mas a renda ainda é a principal barreira. O dado reforça o potencial de crescimento do mercado de baixa renda.



