Ouro fecha estável com tensão no Golfo Pérsico e Fed no radar
Ouro estável com tensão no Golfo Pérsico

O ouro encerrou a sessão desta segunda-feira praticamente estável, com os investidores avaliando os desdobramentos da tensão geopolítica no Golfo Pérsico, enquanto aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, prevista para esta semana. O metal precioso, tradicionalmente visto como ativo de refúgio, oscilou entre pequenos ganhos e perdas ao longo do dia, refletindo a cautela do mercado.

Fechamento do ouro e fatores de influência

O contrato futuro do ouro para entrega em agosto fechou a US$ 1.980,10 a onça-troy, uma variação de apenas 0,1% em relação ao fechamento anterior. A estabilidade ocorre em meio a um cenário de incertezas geopolíticas, com o aumento das tensões no Golfo Pérsico após incidentes recentes envolvendo navios petroleiros. Segundo analistas, o ouro se beneficia da busca por segurança, mas a valorização do dólar americano limitou os ganhos.

“O ouro está em um impasse, com a demanda por porto seguro sendo contrabalançada pela força do dólar”, disse David Meger, diretor de negociação de metais da High Ridge Futures. “Os investidores estão de olho no Fed, que deve sinalizar os próximos passos para os juros, o que pode definir a direção do metal.”

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Tensão no Golfo Pérsico e impacto nos mercados

As tensões no Golfo Pérsico se intensificaram após a apreensão de um navio petroleiro por forças iranianas, elevando os temores de interrupção no fornecimento de petróleo. O Brent, referência global, subiu 1,5%, para US$ 82,30 o barril. O ouro, como ativo de refúgio, poderia ter subido mais, mas o dólar forte e a expectativa de juros mais altos nos EUA pressionaram o metal.

“A situação geopolítica no Oriente Médio continua sendo um fator de apoio para o ouro, mas o mercado está mais focado no Fed”, explicou Edward Moya, analista sênior da OANDA. “Se o Fed adotar um tom hawkish, o ouro pode cair; se for dovish, pode disparar.”

Expectativas para a decisão do Fed

O Federal Reserve inicia nesta terça-feira sua reunião de dois dias para decidir sobre a taxa de juros. A expectativa majoritária é de que o banco central americano mantenha os juros inalterados, mas o mercado estará atento ao comunicado e às projeções econômicas. Dados recentes mostram inflação ainda acima da meta, mas com sinais de desaceleração.

Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros é de 95%. Caso o Fed sinalize cortes de juros no segundo semestre, o ouro pode se beneficiar, já que juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de deter o metal, que não rende juros.

Outros metais preciosos

Entre outros metais preciosos, a prata fechou em alta de 0,3%, a US$ 24,12 a onça-troy, enquanto a platina caiu 0,5%, para US$ 1.020,00. O paládio recuou 0,8%, para US$ 1.450,00. O movimento reflete a cautela geral do mercado, com investidores ajustando posições antes da decisão do Fed.

Perspectivas para o ouro

Analistas apontam que o ouro deve continuar sensível a notícias geopolíticas e aos sinais do Fed. O nível de US$ 1.970 é visto como suporte imediato, enquanto US$ 2.000 representa resistência psicológica. Caso as tensões no Golfo Pérsico se agravem, o ouro pode testar novos recordes, mas a força do dólar e a política monetária restritiva podem limitar o potencial de alta.

“O cenário é de indefinição. O ouro precisa de um catalisador claro para romper a faixa atual”, concluiu Meger.

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