O Brasil avançou na inclusão financeira, mas negligenciou o incentivo à poupança das famílias, priorizando o consumo. A constatação é da economista Zeina Latif, que alerta para os riscos dessa tendência sobre o orçamento público e a formação da taxa de juros.
Fragilidade financeira exposta na pandemia
Segundo Latif, a baixa poupança das famílias brasileiras ficou evidente durante a pandemia de Covid-19, quando a renda foi interrompida e muitos não tinham reservas. Essa fragilidade pesa potencialmente no Orçamento público, que precisou arcar com programas emergenciais, e também influencia a taxa básica de juros, pois uma população sem poupança é mais vulnerável a choques econômicos.
Dados preocupantes sobre aposentadoria
Dados recentes indicam que apenas uma minoria dos brasileiros economiza para a aposentadoria. Com o envelhecimento populacional acelerado, a falta de poupança privada pode sobrecarregar ainda mais o sistema previdenciário público. “É urgente criar políticas que estimulem a poupança de longo prazo”, afirma a economista.
Consumo em detrimento da segurança financeira
O modelo de inclusão financeira adotado no país focou no acesso ao crédito e ao consumo, deixando de lado a educação financeira e os instrumentos de poupança. Isso resulta em endividamento elevado e baixa capacidade de investimento das famílias, o que, por sua vez, reduz a taxa de poupança nacional e pressiona os juros para cima.
Impacto sobre a taxa de juros
Latif explica que, quanto menor a poupança interna, maior a dependência de capital externo e, consequentemente, maior a taxa de juros para atrair investidores. “A fragilidade financeira das famílias se traduz em um prêmio de risco maior para o país”, completa.



