Os fundos multimercados, tradicionalmente vistos como opção de diversificação e retorno superior, enfrentam um desempenho decepcionante em 2026, perdendo até mesmo para a caderneta de poupança. A rentabilidade acumulada no ano até julho é inferior ao rendimento da poupança, que gira em torno de 6,17% ao ano, enquanto muitos multimercados registram ganhos abaixo de 5%. A situação levanta questionamentos sobre a validade da estratégia e o momento de migrar para outros ativos.
Rentabilidade abaixo da poupança: o que aconteceu?
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a mediana dos fundos multimercados apresentou retorno de 4,8% nos primeiros seis meses de 2026, contra 6,17% da poupança no mesmo período. A diferença se acentuou no segundo trimestre, com a volatilidade dos mercados globais e a política monetária restritiva nos Estados Unidos impactando as estratégias de alocação. Especialistas apontam que a alta dos juros americanos e a incerteza fiscal doméstica prejudicaram as apostas em renda fixa e câmbio, pilares dos multimercados.
Perspectivas para o segundo semestre
O economista-chefe de uma grande gestora, que preferiu não ser identificado, afirma que "a recuperação dos multimercados depende de um cenário mais claro para os juros globais e da aprovação de reformas no Brasil". Ele destaca que, historicamente, ciclos de aperto monetário nos EUA geram perdas para a categoria, mas a reversão pode trazer ganhos expressivos. No entanto, o mercado está dividido: parte dos analistas acredita que a piora já passou, enquanto outros veem riscos adicionais com a guerra comercial entre EUA e China.
Impacto na carteira dos investidores
Para quem tem exposição a multimercados, a recomendação é reavaliar o horizonte de investimento. "Se o objetivo é curto prazo, a poupança ou títulos indexados à Selic podem ser mais adequados", orienta um planejador financeiro consultado. Já para o longo prazo, a diversificação ainda faz sentido, desde que o investidor esteja disposto a suportar a volatilidade. A XP Investimentos, em relatório recente, sugeriu alocar parte dos recursos em fundos que combinam estratégias de renda fixa e ações para reduzir o risco.
O martírio pode acabar?
A pergunta que fica é: quando os multimercados voltarão a render acima da poupança? A resposta depende de fatores como a queda dos juros americanos, a estabilização fiscal brasileira e a retomada do crescimento econômico. Projeções do mercado indicam que, se o Fed iniciar cortes ainda em 2026, os multimercados podem se beneficiar. Até lá, o investidor deve monitorar de perto a alocação e considerar alternativas como CDBs e LCIs, que oferecem retornos atrativos com menor risco.



