Os contratos futuros de minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian caíram nesta quinta-feira, 30 de julho, para a mínima de um ano. O movimento foi impulsionado pelo aprofundamento das perdas nas siderúrgicas da China e pelas expectativas de novas quedas na produção de ferro-gusa. O contrato mais negociado, com vencimento em setembro, recuou 3,31%, para 715 iuanes (US$ 98,80) por tonelada métrica, atingindo o menor patamar desde 2 de julho de 2025.
Mercado de Cingapura também em queda
O minério de ferro na Bolsa de Cingapura também registrou forte recuo, operando em baixa de 2,3% por volta das 8h30 (horário de Brasília), a US$ 95,85 por tonelada. Esse valor representa a mínima desde 23 de fevereiro, refletindo o pessimismo global com o setor siderúrgico chinês, maior consumidor mundial da commodity.
Pressão sobre as siderúrgicas chinesas
Segundo Wang Jianhua, analista-chefe de aço da consultoria Mysteel, as siderúrgicas na China continuarão enfrentando fortes pressões fundamentais no próximo mês. "Os preços provavelmente continuarão caindo, e somente cortes significativos na produção serão capazes de estabilizar o mercado", afirmou em nota. Dados da Mysteel mostram que as perdas médias das siderúrgicas em Tangshan ultrapassaram 100 iuanes por tonelada e continuam se aprofundando.
Queda na produção de ferro-gusa
A produção de ferro-gusa, matéria-prima para o aço, caiu por três semanas consecutivas em julho e deve diminuir ainda mais em agosto, de acordo com Yang Huidan, analista da corretora chinesa Guoyuan Futures. "Os estoques portuários, já em níveis historicamente altos, devem subir e pressionar ainda mais os preços", explicou em nota.
Ciclo negativo de custos
Zhang Kunfei, analista da Datong Securities, destacou que o consumo diário de minério de ferro nas siderúrgicas continua diminuindo. "Com os estoques ainda elevados, o complexo de custos entrou em um ciclo negativo que continua pesando sobre os preços", disse em nota. O cenário sugere que o mercado de minério de ferro pode enfrentar novas quedas se não houver uma redução significativa na oferta ou um aumento na demanda.



