Mercado reduz projeção do IPCA de 2026 para 5,12% e eleva de 2027 para 4,22%
Mercado reduz projeção do IPCA de 2026 para 5,12% e eleva de 2027

A pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, revelou que o mercado financeiro reduziu a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 5,15% para 5,12%. Ao mesmo tempo, a expectativa para 2027 foi elevada de 4,20% para 4,22%. As revisões refletem ajustes nas perspectivas para a política monetária e a atividade econômica.

Revisões para 2026 e 2027

A mediana das expectativas para 2026 caiu pela segunda semana consecutiva, indicando uma tendência de desaceleração inflacionária no curto prazo. Para 2027, por outro lado, a alta sugere que os analistas preveem pressões de preços mais persistentes no médio prazo. O IPCA de 2026 ainda se mantém acima do centro da meta de inflação, que para aquele ano é de 3,50% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Segundo o relatório Focus, as projeções para o IPCA de 2026 variaram entre 4,80% e 5,40%, enquanto para 2027 as estimativas ficaram entre 3,90% e 4,50%. A pesquisa coleta expectativas de aproximadamente 100 economistas de bancos, corretoras e consultorias.

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Expectativas para a política monetária

A redução da projeção para 2026 pode abrir espaço para um afrouxamento da política monetária mais cedo do que o esperado. No entanto, a elevação para 2027 sinaliza que o Banco Central deve manter a cautela para evitar que a inflação se desancore. A taxa Selic, atualmente em 11,00% ao ano, deve permanecer elevada por mais tempo, segundo a maioria dos analistas.

De acordo com o Focus, a mediana para a Selic ao final de 2026 permaneceu em 11,00%, enquanto para o final de 2027 a expectativa subiu ligeiramente para 9,50%. Isso indica que o mercado espera que o ciclo de cortes seja gradual e dependente da trajetória da inflação.

Contexto econômico

As revisões ocorrem em um cenário de incertezas fiscais e externas. A desaceleração da economia global, a queda nos preços das commodities e a apreciação do real têm contribuído para conter as pressões inflacionárias no curto prazo. Por outro lado, a expectativa de crescimento do PIB em torno de 2,5% para 2026 e 2,0% para 2027, combinada com a resiliência do mercado de trabalho, pode sustentar a demanda e gerar pressões de custos.

O Focus também mostrou que a projeção para o câmbio no final de 2026 ficou estável em R$ 5,20 por dólar, enquanto para 2027 a mediana é de R$ 5,30. A manutenção do câmbio em patamares elevados contribui para a inflação de itens comercializáveis.

Impacto nas expectativas de longo prazo

Para 2028 e 2029, as projeções de IPCA permaneceram estáveis em 3,50% e 3,40%, respectivamente, bem próximas ao centro da meta. Isso sugere que, apesar das oscilações de curto prazo, os analistas confiam na capacidade do Banco Central de ancorar as expectativas no horizonte relevante para a política monetária.

A pesquisa Focus é um instrumento importante para o acompanhamento das expectativas de mercado e influencia as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). A próxima reunião do Copom está marcada para agosto, e a ata deverá incorporar as novas projeções.

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