Os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva nesta quarta-feira, após o IPCA-15 de julho ficar abaixo do piso das estimativas do mercado. O índice de prévia da inflação veio em 0,30%, contra expectativas de 0,35% a 0,40%, surpreendendo analysts e investidores.
IPCA-15 surpreende para baixo
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,30% em julho, abaixo do piso das projeções coletadas pelo mercado, que variavam entre 0,35% e 0,40%. Em 12 meses, o indicador acumula 4,45%, ainda acima do centro da meta de 3,0%, mas mostrando desaceleração em relação aos meses anteriores. A composição do índice trouxe alívio em itens como alimentação e transportes, que pressionaram menos do que o esperado.
Impacto na curva de juros
Com o dado mais fraco, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2025 (DI Jan/25) caíram de 10,87% para 10,78%, enquanto os com vencimento mais longo, como DI Jan/29, recuaram de 11,52% para 11,40%. A queda foi generalizada, refletindo a expectativa de que o Banco Central ganhe mais conforto para iniciar um ciclo de cortes na Selic, atualmente em 10,50% ao ano. Segundo operadores, o mercado passou a precificar uma probabilidade maior de redução de 0,25 ponto percentual já na reunião de setembro.
Expectativas para o Copom
A curva de juros agora embute 70% de chance de cortes de 0,25 p.p. na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ante 45% antes do IPCA-15. No entanto, analistas ressaltam que a decisão dependerá de outros indicadores, como o mercado de trabalho e a inflação de serviços. O comunicado do Copom de junho já sinalizava que o início da flexibilização monetária dependeria da evolução das expectativas de inflação. Com o IPCA-15 abaixo do esperado, a pressão sobre o BC para agir diminui, mas ainda há cautela. O economista-chefe de uma grande corretora afirmou que 'o dado abre espaço para cortes, mas o BC deve esperar mais confirmações, especialmente do IPCA cheio de julho'.



