As taxas dos contratos de juros futuros iniciaram o pregão desta terça-feira em trajetória de queda, refletindo o alívio no mercado de petróleo e a leitura do IPCA-15 de julho, que surpreendeu para baixo. O índice de prévia da inflação registrou alta de 0,19%, abaixo do consenso de 0,31%, segundo pesquisa da Reuters.
Alívio Externo e Dados Locais
O petróleo tipo Brent operava em baixa de cerca de 2,5%, cotado a US$ 72,50 o barril, após sinalizações de aumento da oferta por parte da Opep+. Esse movimento aliviou as pressões inflacionárias no curto prazo, uma vez que os combustíveis têm peso relevante no IPCA.
No mercado de juros futuros, o contrato para janeiro de 2027 caiu 0,08 ponto percentual, para 12,54%, enquanto o para 2028 recuou 0,10 p.p., a 12,81%. Já o DI para 2030 operava a 12,92%, ante 13,02% no fechamento anterior.
Reação do Mercado
“O IPCA-15 veio mais fraco, especialmente nos itens administrados. Isso reforça a leitura de que a inflação está cedendo, o que reduz a necessidade de aperto monetário adicional”, afirmou o economista-chefe da XP Investimentos, em nota. A queda nos juros futuros também foi favorecida pela desvalorização do dólar, que recuava 0,5%, a R$ 5,42.
Apesar do movimento positivo, analistas ponderam que o Banco Central deve permanecer cauteloso. Para o economista da LCA Consultores, “ainda é cedo para comemorar; o núcleo de serviços segue pressionado”.
Impacto na Curva de Juros
A curva a termo apresentou inclinação, com quedas mais intensas nos vencimentos longos. O diferencial entre os contratos de curto e longo prazo (spread) se estreitou, indicando que o mercado precifica menor risco de inflação futura. O IPCA-15 acumulado em 12 meses passou de 4,15% para 4,10%, ainda acima do centro da meta de 3,0%.
O mercado monitora agora a decisão de política monetária do Fed amanhã, que pode trazer novas direções para os ativos globais. Na agenda doméstica, o foco é a ata do Copom da próxima semana.



