Juros futuros avançam com guerra e temor de inflação no radar
Juros futuros avançam com guerra e temor de inflação

As taxas dos contratos futuros de juros no Brasil fecharam em alta nesta segunda-feira, pressionadas pelo agravamento do conflito geopolítico e pelo receio de que a inflação global permaneça elevada por mais tempo. O movimento reflete a aversão a risco nos mercados internacionais e a expectativa de que os bancos centrais mantenham juros altos.

Impacto do cenário externo

O ambiente externo foi o principal driver dos negócios. A escalada das tensões entre países do Leste Europeu elevou a demanda por ativos seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano, enquanto commodities como petróleo e grãos dispararam. Esse cenário alimenta o temor de uma inflação persistente, o que pode atrasar o ciclo de corte de juros nos Estados Unidos e na Europa.

No Brasil, a alta dos juros futuros também reflete a percepção de que o Banco Central pode ser forçado a manter a Selic em patamar elevado por mais tempo. A taxa do DI para janeiro de 2028 subiu de 11,45% para 11,60%, enquanto o DI para janeiro de 2029 avançou de 11,70% para 11,85%.

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Reação do mercado doméstico

Os investidores também monitoram a tramitação de pautas econômicas no Congresso, como a reforma tributária, que pode impactar as expectativas fiscais. A curva de juros incorpora prêmios de risco, diante da incerteza sobre o controle de gastos públicos.

  • DI para janeiro de 2025: de 10,90% para 11,00%
  • DI para janeiro de 2026: de 11,20% para 11,35%
  • DI para janeiro de 2027: de 11,35% para 11,50%

O dólar comercial fechou em alta de 0,8%, cotado a R$ 5,20, refletindo a fuga de capital estrangeiro. A Bolsa de Valores (Bovespa) caiu 1,2%, pressionada por ações de empresas ligadas a commodities e consumo.

Expectativas para os próximos dias

Analistas preveem que os juros futuros podem continuar voláteis, dependendo de novos desdobramentos do conflito e de indicadores de inflação nos EUA, como o CPI de maio. No Brasil, a divulgação do IPCA-15 também será monitorada de perto.

O mercado ainda aguarda a próxima reunião do Copom, em junho, que deve manter a Selic em 13,75%, mas com comunicação atenta ao cenário global.

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