O JPMorgan emitiu um alerta nesta sexta-feira (24) afirmando que o recente alívio no fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira não deve durar. Segundo o banco, os fatores que impulsionaram a entrada de recursos nas últimas semanas são temporários e a tendência de curto prazo é de reversão.
Riscos fiscais e externos pesam
O relatório do JPMorgan destaca que, embora tenha havido uma melhora no fluxo estrangeiro em julho, impulsionada por expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos e pela aprovação do arcabouço fiscal no Brasil, esses fatores já estão precificados. O banco aponta que o cenário fiscal brasileiro ainda apresenta riscos significativos, com a possibilidade de aumento de gastos e pressões sobre a dívida pública. Além disso, o ambiente externo permanece incerto, com a desaceleração da economia chinesa e a política monetária restritiva nos EUA.
Fluxo estrangeiro: alívio temporário
O JPMorgan calcula que o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira foi positivo em cerca de R$ 5 bilhões em julho, após meses de saídas líquidas. No entanto, o banco acredita que esse movimento é insustentável. “O alívio no fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira não vai durar”, afirma o relatório. “Os riscos fiscais domésticos e a incerteza externa devem limitar a entrada de recursos no médio prazo.”
Impacto no Ibovespa
O alerta do JPMorgan ocorre em um momento em que o Ibovespa tenta se recuperar das perdas recentes. O índice acumula alta de cerca de 2% no mês, mas ainda está longe das máximas históricas. O banco recomenda cautela com ações brasileiras, especialmente as mais expostas ao mercado doméstico e ao ciclo econômico.
O relatório também menciona que a nova carteira do Ibovespa, que inclui a entrada da Tenda e a saída da PetroReconcavo, reflete as mudanças no perfil do mercado. No entanto, o JPMorgan alerta que a melhora no fluxo estrangeiro não é suficiente para sustentar uma alta consistente do índice.



