O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, percentual abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 0,20%. O dado reforça as apostas de que o Banco Central pode cortar a Selic na reunião de agosto, embora o preço do petróleo mantenha o alerta entre os investidores.
Desempenho abaixo do esperado
A inflação de junho veio mais fraca do que a mediana das expectativas do mercado, coletada pela Bloomberg, que era de 0,20%. No acumulado em 12 meses, o IPCA passou de 3,15% para 3,10%, segundo o IBGE. O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços de alimentos e transportes.
O grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,15% no mês, com destaque para a redução nos preços de carnes e frutas. Já o grupo Transportes recuou 0,10%, puxado pela queda nas passagens aéreas e no etanol. Por outro lado, o grupo Habitação subiu 0,35%, pressionado pela alta da energia elétrica.
Impacto na política monetária
O IPCA fraco fortalece a tese de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de corte na Selic já em agosto. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano. O mercado acompanha de perto os próximos dados de inflação e a comunicação do Copom.
“O IPCA de junho abre espaço para o início do afrouxamento monetário, mas o BC deve agir com cautela diante das pressões do petróleo”, afirma o economista-chefe de uma corretora, que prefere não ser identificado. O petróleo Brent opera acima dos US$ 80 o barril, o que pode impactar combustíveis e pressionar a inflação futura.
Oportunidades na renda fixa
Com a expectativa de queda dos juros, títulos de renda fixa atrelados ao IPCA se tornam mais atrativos. Alguns papéis chegam a pagar IPCA+17% ao ano, segundo levantamento da XP. “A disparada dos juros abriu oportunidades, mas também riscos, especialmente para quem investe em títulos de longo prazo”, alerta um analista da XP.
O mercado de renda fixa vive um momento de taxas elevadas, com CDBs, LCIs e LCAs oferecendo retornos acima de 13% ao ano. A XP recomenda 10 aplicações de renda fixa para travar os juros altos antes de um possível corte na Selic.
Mercado de ações e commodities
Na Bolsa, o Ibovespa acelerou a recuperação e voltou aos 175 mil pontos, impulsionado por ações de commodities e bancos. O Goldman Sachs divulgou uma lista de 13 ações preferidas para aproveitar a queda da Bolsa, incluindo nomes como Vale, Petrobras e Itaú.
O petróleo em alta beneficia as ações da Petrobras, PRIO e PetroReconcavo. A analista de petróleo e gás do Goldman Sachs afirma: “Com o petróleo acima de US$ 80, as petroleiras brasileiras devem apresentar forte geração de caixa no segundo semestre”.
Perspectivas para o segundo semestre
O IPCA fraco de junho reforça a expectativa de que a inflação continue controlada, permitindo ao BC cortar juros. No entanto, a alta do petróleo e a desvalorização do real são riscos que podem limitar o espaço para cortes. O mercado estará atento aos próximos dados de inflação e à reunião do Copom nos dias 1º e 2 de agosto.



