O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio abaixo do esperado em junho, reforçando as apostas do mercado de que o Banco Central pode cortar a Selic já em agosto. No entanto, a alta recente do petróleo mantém o alerta entre investidores, que temem pressões inflacionárias futuras.
Impacto nos títulos do Tesouro Direto
Com a surpresa baixista do IPCA, as taxas dos títulos prefixados e atrelados à inflação (IPCA+) caíram fortemente no Tesouro Direto. O Tesouro Prefixado 2026, por exemplo, viu sua taxa recuar de 13,5% para 13,2% ao ano, enquanto o IPCA+ 2035 passou de IPCA+6,2% para IPCA+5,9%. A demanda por esses papéis aumentou, à medida que investidores tentam travar juros elevados antes de possíveis cortes.
Petróleo e o alerta para a inflação
Apesar do alívio no IPCA, o petróleo continua subindo, com o Brent ultrapassando US$ 85 o barril. Isso preocupa analistas, pois combustíveis têm peso relevante no índice de preços. “O cenário ainda é incerto; o petróleo pode reacender a inflação e atrasar o ciclo de cortes”, afirma Carlos Braga, economista da FGV. O mercado agora monitora os próximos dados de inflação e as decisões da OPEP+.
Expectativas para a Selic
Com o IPCA fraco, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto subiu para 70%, segundo o Termômetro do Copom. Porém, a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária já sinalizava cautela. “O Copom deixou claro que depende dos dados; se o petróleo continuar pressionando, o corte pode ser adiado”, destaca Maria Silva, estrategista do Bradesco.
Oportunidades na renda fixa
Com a disparada dos juros nos últimos meses, alguns títulos chegaram a pagar IPCA+17%, atraindo investidores em busca de proteção contra a inflação. No entanto, especialistas alertam para os riscos: “Taxas tão altas refletem desconfiança no emissor; é preciso analisar o crédito”, explica Pedro Alves, analista da XP. Para quem busca segurança, os títulos públicos ainda são a melhor opção, com taxas reais acima de 6% ao ano.
Recomendações de ações do Goldman Sachs
Em meio à volatilidade, o Goldman Sachs divulgou uma lista de 13 ações preferidas para aproveitar a queda da Bolsa brasileira. Entre os destaques estão Vale, Petrobras e Itaú, que combinam valuation atrativo e dividendos robustos. “A queda recente abriu janela de entrada em empresas sólidas”, afirma o relatório do banco.



