O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho registrou alta de 0,06%, resultado abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava um número mais elevado. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe alívio aos investidores e provocou queda nos juros futuros em toda a extensão da curva, além de sustentar o Ibovespa na tentativa de manter os 127 mil pontos.
Resultado do IPCA-15 fica abaixo do piso das estimativas
A prévia da inflação oficial, que mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, veio abaixo do chamado “piso” das projeções coletadas pelo mercado. Enquanto analistas esperavam uma alta entre 0,08% e 0,12%, o índice subiu apenas 0,06%, influenciado principalmente pela queda nos preços de alimentos e bebidas, que recuaram 0,45% no período. Por outro lado, os grupos de transportes e habitação pressionaram o índice, com altas de 0,38% e 0,21%, respectivamente. O resultado acumulado em 12 meses, embora não divulgado oficialmente na prévia, deve manter-se dentro da meta de inflação, conhecida como “banda”.
Juros futuros recuam em toda a curva
Com a surpresa benigna da inflação, os contratos de juros futuros (DI) passaram a operar em queda em todos os vencimentos, desde os curtos até os longos. O DI para janeiro de 2026, que reflete as expectativas para a taxa Selic no curto prazo, recuou de 14,85% para 14,82% ao ano. Já o DI para janeiro de 2031 caiu de 15,20% para 15,12% ao ano. O movimento indica que o mercado reduz as apostas em novos aperto monetário pelo Banco Central, que mantém a Selic em 13,75% ao ano há vários meses. Economistas avaliam que a leitura do IPCA-15 reforça a tese de que a inflação está sob controle, abrindo espaço para eventual corte de juros no segundo semestre.
Ibovespa luta para manter os 127 mil pontos
Na Bolsa de Valores, o Ibovespa oscilou próximo da estabilidade, tentando se firmar acima dos 127 mil pontos. O índice chegou a subir 0,3% no início da sessão, impulsionado pelo alívio nos juros e pelo bom desempenho de ações ligadas ao consumo e à construção civil. No entanto, a cautela externa, com quedas em Wall Street e na Europa, limitou os ganhos. Segundo operadores, o mercado aguarda agora os dados do IPCA cheio de julho, que será divulgado em agosto, e a ata do Copom, para confirmar a tendência de desaceleração inflacionária.
Apesar do resultado positivo, especialistas ponderam que a inflação de serviços ainda preocupa e pode manter o BC em alerta. O componente de serviços do IPCA-15 subiu 0,31% no mês, acelerando ante o mês anterior. “O número de hoje é bom, mas não resolve todos os problemas. O BC deve seguir cauteloso, especialmente com o mercado de trabalho aquecido”, afirmou um analista de renda fixa de um grande banco de investimentos.
Perspectivas para a Selic e a renda fixa
Com a inflação abaixo do esperado, as taxas dos títulos públicos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, recuaram levemente, mas continuam oferecendo prêmios elevados para o investidor. O título com vencimento em 2029, por exemplo, oferece uma taxa real de cerca de 6,5% ao ano, patamar atrativo para quem busca proteção contra a inflação. Para os próximos meses, o mercado acompanhará de perto as decisões do Banco Central, que pode iniciar um ciclo de cortes na Selic caso a inflação continue desacelerando. Enquanto isso, a renda fixa continua sendo a preferida dos investidores brasileiros, com fluxo recorde para fundos de crédito privado e CDBs.



