O mercado financeiro brasileiro abriu a semana com forte movimento de queda nos juros futuros, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrar resultado abaixo do piso das expectativas. O indicador, que mede a prévia da inflação oficial, veio menor que o projetado pelo mercado, alimentando apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de corte de juros mais cedo do que o esperado.
Juros futuros recuam em toda a curva
Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimentos mais longos caíram mais de 10 pontos-base, refletindo a percepção de que a inflação está mais controlada. Segundo analistas do Bradesco BBI, o dado reforça a tese de que a política monetária já está suficientemente restritiva. “O IPCA-15 abaixo do esperado pode abrir espaço para uma redução da Selic ainda no segundo semestre”, afirmou um estrategista do banco.
Enquanto isso, no cenário internacional, uma nova onda de vendas no setor de semicondutores derrubou o índice sul-coreano Kospi em 11%, o maior tombo diário desde a crise financeira global de 2008. O movimento foi desencadeado por alertas de empresas como a Samsung Electronics sobre demanda fraca por chips de memória, agravado por preocupações com a exposição do setor à inteligência artificial. A Fitch Ratings emitiu nota alertando que “a correção no setor de IA está se tornando um importante risco de crédito global”.
JPMorgan ajusta recomendações no setor de proteínas
No mercado de ações brasileiro, o JPMorgan elevou a recomendação para a JBS de neutra para overweight, enquanto rebaixou a Minerva de overweight para neutra. O banco manteve a Marfrig (MBRF) como sua favorita no setor de proteínas. De acordo com o relatório, a JBS se beneficia de sua diversificação geográfica e exposição ao mercado norte-americano, enquanto a Minerva enfrenta margens mais apertadas na América do Sul. “A JBS está negociando a múltiplos atrativos, com potencial de recuperação de rentabilidade”, destacaram os analistas.
Paralelamente, a Coca-Cola surpreendeu o mercado ao elevar suas projeções de vendas para o ano, impulsionada pelas pausas oficiais de hidratação durante a Copa do Mundo de 2024. A empresa celebrou o aumento do consumo de suas bebidas durante o torneio, que resultou em alta de 5% nas vendas no segundo trimestre. “As pausas de hidratação não só foram um sucesso de marketing, mas também geraram um incremento real de receita”, disse o CFO da empresa em conferência.
Outros destaques do mercado
O Barclays reportou lucro líquido de US$ 8,11 bilhões no segundo trimestre, alta de 17% ante o mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo boom no mercado de ações. O banco britânico se beneficiou do aumento nas receitas de trading e advisory. Já o índice Ibovespa lutava para se manter acima dos 177 mil pontos, com o mercado doméstico ainda digerindo o IPCA-15 e aguardando a primeira prévia do PIB dos Estados Unidos.
No front corporativo, a Santander Brasil (SANB11) ensaiava recuperação após cair 15% no acumulado do ano. O balanço do segundo trimestre, a ser divulgado nos próximos dias, será o gatilho para a ação, segundo analistas. “O mercado espera que o banco mostre melhora na margem financeira e controle de provisões”, comentou um analista do BTG Pactual.



