O mercado financeiro reduziu pela quarta semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026, refletindo expectativas de desaceleração econômica e alívio nos preços de commodities. Enquanto isso, o petróleo Brent despencou 9%, abaixo de US$ 90, com a pausa no conflito no Oriente Médio. O movimento impactou ações de bancos, seguradoras e grandes empresas, com destaque para rebaixamentos e elevações divergentes.
Inflação e perspectivas econômicas
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, aponta que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu para 3,70%, ante 3,75% na semana anterior. É a quarta redução seguida, indicando que os agentes econômicos esperam inflação abaixo do teto da meta (4,50%) pela primeira vez desde o início dos cortes. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que "não existe possibilidade de o Brasil ter recessão em 2027", reforçando a confiança no crescimento sustentável.
Petróleo Brent em forte queda
O barril do petróleo Brent caiu 9% nesta segunda-feira, negociado abaixo de US$ 90, impulsionado pelo cessar-fogo temporário no Oriente Médio. A trégua reduziu os prêmios de risco geopolítico, levando a uma forte liquidação de contratos futuros. Analistas do Goldman Sachs alertam que a volatilidade deve persistir, mas o movimento foi recebido com alívio por setores dependentes de energia, como transporte e aviação.
Setor financeiro e seguradoras sob pressão
O Morgan Stanley rebaixou as ações do BB Seguridade, Caixa Seguridade e Porto Seguro, citando margens mais apertadas e menor crescimento de prêmios. As recomendações passaram de "compra" para "neutro" ou "venda", derrubando os papéis no pregão. Já os grandes bancos — Santander, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco — tiveram desempenho misto, com investidores avaliando o impacto da queda dos juros futuros sobre as margens financeiras.
Destaques corporativos: WEG e Vale
A WEG recebeu dupla elevação para compra de analistas, que destacam uma "nova fase de crescimento" impulsionada por contratos de energia renovável e expansão internacional. A empresa fechou um contrato com a Engie para ampliação da usina hidrelétrica Jaguara. Em contrapartida, a Vale foi rebaixada pelo Goldman Sachs para neutro, com a justificativa de poucos gatilhos de curto prazo e incertezas sobre a demanda chinesa.
Outros movimentos de mercado
Na China, a fabricante de chips CXMT estreou na bolsa de Xangai com disparada de 470%, refletindo o apetite por tecnologia semicondutora. No Brasil, a Positivo Tecnologia (POSI3) busca reduzir dependência do varejo, expandindo serviços corporativos e inteligência artificial. No setor político, o governo Milei descartou pedir desculpas ao Brasil após fala em ato do PL, enquanto o Itamaraty convocou o embaixador argentino para expressar repulsa.
Impactos para investidores
Com a inflação em trajetória de queda e a redução dos riscos geopolíticos, o mercado ajusta projeções. A expectativa é de que o Banco Central possa manter a taxa Selic ou até iniciar cortes moderados em 2027, dependendo do comportamento do câmbio e do fiscal. Para o investidor, o momento exige cautela com setores cíclicos e atenção às oportunidades em empresas com fundamentos fortes, como WEG.
Segundo dados do InfoMoney, a maioria dos analistas recomenda diversificação entre renda fixa e variável, aproveitando os juros reais ainda elevados. O mercado de ações segue volátil, mas com setores específicos mostrando resiliência.



