A inadimplência nos contratos de aluguel no Brasil voltou a subir em maio, atingindo 3,22%, após registrar em abril o menor nível dos últimos 12 meses. O avanço, ainda que modesto, acende um sinal de alerta para o mercado imobiliário, especialmente porque afeta tanto imóveis populares quanto unidades de alto padrão. Segundo o Índice de Inadimplência Locatária da Superlógica, 83,5 milhões de brasileiros estão inadimplentes no país, e o reflexo já aparece em uma das despesas mais essenciais: a moradia.
Imóveis de até R$ 1 mil lideram atrasos
Os maiores índices de inadimplência continuam concentrados nos imóveis de menor valor, justamente aqueles ocupados por famílias mais vulneráveis às oscilações da renda. Nos contratos residenciais de até R$ 1 mil mensais, o índice saltou de 5,56% em abril para 6,31% em maio. Nos imóveis comerciais da mesma faixa de preço, a taxa chegou a 7,6%, ante 7% registrados no mês anterior. Esses números reforçam a dificuldade enfrentada pelas camadas de menor renda para absorver a alta do custo de vida e manter em dia despesas consideradas prioritárias, de acordo com a Superlógica.
Alta também em imóveis de alto padrão
Se a alta entre os imóveis populares já era esperada, outro movimento chamou a atenção do mercado: o avanço da inadimplência nos contratos de maior valor. Nos imóveis residenciais com aluguel superior a R$ 13 mil mensais, o índice saltou de 4,52% para 6,16% em apenas um mês. Nos imóveis comerciais dessa mesma faixa, a taxa passou de 4,43% para 4,9%, conforme estudo da Superlógica. Segundo Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, “quem aluga um imóvel acima de R$ 13 mil geralmente tem renda familiar superior a R$ 40 mil. Mas esse perfil é formado, em grande parte, por empreendedores e empresários que hoje enfrentam carga tributária crescente, menor atividade econômica e crédito mais caro”. O dado sugere que as dificuldades financeiras estão se espalhando por diferentes faixas de renda e não se limitam apenas às famílias de menor poder aquisitivo.
Casas e imóveis comerciais registram piora
Na análise por tipo de imóvel, todos os segmentos apresentaram aumento da inadimplência em maio, mas as casas registraram a maior elevação, passando de 3,31% para 3,69%. Nos apartamentos, a taxa subiu de 2,11% para 2,35%. Já os imóveis comerciais seguem liderando o ranking nacional de atrasos, com inadimplência de 4,39%, acima dos 4,21% observados em abril. O desempenho do segmento comercial é acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que costuma refletir a saúde financeira de pequenos negócios, prestadores de serviços e comerciantes.
Nordeste lidera ranking regional
Regionalmente, o Nordeste manteve a liderança da inadimplência locatícia no país. A taxa chegou a 5,39% em maio, avanço de 0,41 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em seguida aparecem Norte (4,38%) e Sudeste (3,15%). Na outra ponta, o Sul permaneceu com o menor índice nacional, registrando 2,67%, apesar da leve alta observada no período.
Sinal de atenção para os próximos meses
Embora o mercado ainda não veja uma deterioração significativa da capacidade de pagamento dos inquilinos, especialistas avaliam que os próximos meses exigem cautela. A trajetória dos juros, da inflação e da atividade econômica continuará sendo determinante para a evolução da inadimplência. “O aumento é considerado pequeno e ainda é cedo para determinar uma tendência de alta, principalmente porque abril registrou o menor índice em um ano, mas já é um sinal importante”, afirma Gonçalves. O fato de os atrasos terem avançado simultaneamente entre imóveis populares e contratos de alto padrão sugere que a pressão financeira está atingindo diferentes perfis de locatários. Se o cenário de crédito caro e crescimento econômico moderado persistir, o aluguel pode se tornar mais um termômetro da dificuldade dos brasileiros para equilibrar as contas.



