IGP-M tem segunda queda seguida em julho com recuo de alimentos e combustíveis
IGP-M cai 0,52% em julho, segunda queda consecutiva

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,52% em julho, a segunda consecutiva, impulsionada pela redução nos preços de alimentos e combustíveis. O dado foi divulgado nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Queda nos alimentos e combustíveis

Segundo a FGV, os preços de alimentos caíram 1,2% no mês, com destaque para as carnes bovinas (-2,5%) e o leite longa vida (-3,8%). Já os combustíveis recuaram 2,1%, puxados pela gasolina (-2,5%) e pelo etanol (-1,9%).

O economista André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, afirmou que a safra abundante e a desoneração temporária de combustíveis contribuíram para o alívio nos preços. "A combinação de oferta elevada de alimentos e redução de impostos sobre combustíveis criou um ambiente de desinflação no curto prazo", disse Braz.

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Impacto no acumulado

Com o resultado de julho, o IGP-M acumula queda de 0,35% no ano e alta de 4,2% em 12 meses. Em junho, o índice havia caído 0,18%, interrompendo uma sequência de cinco meses de alta. A desaceleração no acumulado de 12 meses foi de 5,1% em junho para 4,2% em julho.

O índice de matérias-primas brutas, que compõe o IGP-M, caiu 1,8% em julho, influenciado por produtos como soja (-3,2%) e minério de ferro (-2,7%). Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 0,15%, com destaque para educação e habitação.

Perspectivas para os próximos meses

Apesar da queda, analistas alertam que a tendência de desinflação pode não se sustentar. O aumento dos preços administrados, como energia elétrica e planos de saúde, pode pressionar o índice nos próximos meses. "A redução dos combustíveis foi pontual e não deve se repetir. Além disso, o câmbio desvalorizado pode elevar o custo de insumos importados", avaliou Braz.

O IGP-M é utilizado como referência para reajustes de aluguéis e contratos de longo prazo. A queda do índice em julho deve aliviar o bolso dos consumidores que renovam contratos nesse período, mas a volatilidade dos preços de commodities ainda preocupa.

A FGV projetou que o IGP-M deve encerrar 2025 em torno de 4,5%, mas revisões podem ocorrer conforme a evolução do câmbio e dos preços internacionais. O mercado aguarda os próximos dados de inflação para ajustar as expectativas.

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