O payroll dos Estados Unidos, divulgado nesta quinta-feira, trouxe dados que reforçam a incerteza sobre a trajetória dos juros americanos, mas animaram os ativos domésticos. O Ibovespa opera em alta, enquanto o dólar e os juros futuros caem, refletindo a leitura de que o mercado de trabalho americano pode não pressionar o Federal Reserve a manter uma postura agressiva.
Payroll e impacto nos mercados
O relatório de emprego dos EUA mostrou criação de vagas abaixo do esperado, o que diminui as chances de novos aumentos de juros. Isso beneficia ativos de risco globalmente, incluindo o Brasil. O Ibovespa subia mais de 1% no início da tarde, puxado por ações de commodities e bancos. O dólar comercial recuava para R$ 5,40, enquanto as taxas dos DIs caíam em todos os vencimentos.
“O payroll veio mais fraco, o que pode levar o Fed a pausar o ciclo de alta. Isso é positivo para emergentes como o Brasil”, afirma o economista-chefe de uma corretora, em nota.
Juros futuros em queda
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2025 e 2026 caíram cerca de 0,10 ponto percentual cada, acompanhando o movimento global de queda nos rendimentos dos Treasuries. A expectativa é que o Copom mantenha a Selic estável na próxima reunião, mas o cenário externo mais favorável pode abrir espaço para cortes no futuro.
O mercado também monitora a tramitação da reforma tributária no Congresso, que segue como pano de fundo para o humor dos investidores.
Dólar perde força
O dólar opera em baixa ante o real, influenciado pelo payroll mais fraco e pela alta das commodities. O minério de ferro subiu na China, beneficiando a Vale e ajudando o Ibovespa. O petróleo também avançou, impulsionando Petrobras.
“O movimento é de alívio. O payroll tirou um pouco da pressão sobre o Fed, e o real se valoriza junto com outras moedas emergentes”, comentou um analista de câmbio.
Segundo dados do BC, o fluxo cambial segue positivo, com entrada de recursos estrangeiros na B3.
Perspectivas
Apesar da reação positiva, analistas alertam que o cenário ainda é incerto. A próxima decisão do Fed, em setembro, será crucial. Se os dados de inflação nos EUA continuarem elevados, o payroll mais fraco pode não ser suficiente para mudar a política monetária.
No Brasil, a agenda de indicadores inclui o IPCA de julho, que pode influenciar as expectativas para a Selic. O mercado projeta inflação dentro da meta, mas com riscos de alta.



