O Ibovespa futuro opera em alta nesta quarta-feira, impulsionado pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros nos Estados Unidos, conforme amplamente esperado. O dólar comercial apresenta estabilidade ante o real, enquanto investidores digerem uma safra de balanços corporativos e dados mistos da economia americana. A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) terminou sem surpresas, mas com comunicado que mantém a porta aberta para futuros ajustes, dependendo da inflação e do mercado de trabalho.
Decisão do Fed e impactos nos mercados
O Fed anunciou a manutenção da taxa básica de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, em linha com as expectativas. A autoridade monetária reiterou que precisa de mais confiança de que a inflação está convergindo para a meta antes de iniciar cortes. Apesar de dados econômicos mistos — como a volatilidade do petróleo e sinais de desaceleração no mercado de trabalho —, o cenário base ainda aponta para um eventual afrouxamento no segundo semestre. No Brasil, a alta do Ibovespa futuro reflete o alívio com a ausência de surpresas negativas, enquanto o dólar opera quase inalterado, cotado a cerca de R$ 5,03.
Petrobras: produção recorde e dividendos
A Petrobras divulgou produção recorde no primeiro trimestre, reforçando as projeções de um forte resultado trimestral e a expectativa de pagamento de dividendos extraordinários de US$ 3 bilhões. O crescimento foi impulsionado por novos poços no pré-sal e pela otimização de plataformas existentes. A estatal também anunciou investimentos adicionais em refino e descarbonização. A notícia impulsionou as ações preferenciais (PETR4) no pregão, que subiram mais de 1% nas primeiras horas de negociação.
Santander Brasil frustra com provisões elevadas
Em contraste, o Santander Brasil (SANB11) registrou queda após balanço que mostrou aumento de provisões para devedores duvidosos e receitas fracas. O banco reportou lucro líquido abaixo das estimativas, ofuscando o que analistas chamaram de “boas notícias” em eficiência operacional. As ações desabaram 2,5% no início do pregão, pressionando o setor financeiro. O Itaú, por outro lado, anunciou que pode aportar até R$ 1,5 bilhão na Aegea, em aumento de capital aprovado pela companhia de saneamento.
Pesquisa AtlasIntel: liderança de Lula no primeiro turno
Na política, pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta mostra o ex-presidente Lula mantendo liderança no primeiro turno com 44,9% das intenções de voto, contra 35,8% do presidente Jair Bolsonaro. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais. Lula lidera em todas as regiões, exceto no Sul, onde Bolsonaro tem vantagem. A pesquisa reforça o cenário de polarização para as eleições de outubro.
Minério de ferro e mercados internacionais
O minério de ferro caiu nos mercados asiáticos, com a demanda fraca da China ofuscando os riscos de oferta na Austrália. A commodity recuou 1,8% em Dalian, refletindo a desaceleração da economia chinesa e a baixa atividade siderúrgica. Por outro lado, o petróleo operou volátil, com o barril do Brent variando entre US$ 81 e US$ 83, diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio e expectativas sobre a decisão da Opep+ para o segundo semestre.
Outros destaques corporativos
A MRV Engenharia informou que sua controlada, a Resia, está em negociações avançadas para venda de ativos nos EUA. A Oceanpact ganhou contrato de logística offshore no valor de R$ 200 milhões. A Motiva, joint venture entre a Petrobras e a francesa TotalEnergies, anunciou investimentos em biocombustíveis. A WEG confirmou aportes de R$ 3,56 bilhões em 2026, após questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), reiterando sua estratégia de expansão global.
FIIs e mercado imobiliário
No segmento de fundos imobiliários, a Hedge Investments fechou acordo para vender um edifício no Morumbi por R$ 86,4 milhões. A consolidação de FIIs da Inter avança com a incorporação dos fundos ITIP11 e INRD11, enquanto o ITIT11 ficou de fora. A ALLOS afirmou que a inteligência artificial deve acirrar a concorrência no varejo online, mas os shoppings mantêm vantagem com experiência presencial. O mercado imobiliário paulista viu os estoques de imóveis dispararem 44%, mas a Abecip rejeita risco de excesso de oferta.
Perspectivas para o futuro
Com a decisão do Fed no retrovisor, o mercado volta suas atenções para os balanços de grandes empresas como Meta e Microsoft, ambas com resultados previstos para após o fechamento. O ceticismo sobre os gastos com inteligência artificial pode pressionar as big techs. No Brasil, a agenda inclui a divulgação do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira e a próxima reunião do Copom, que deve manter a Selic em 13,75% ao ano. A combinação de juros elevados e inflação baixa coloca à prova o novo funding imobiliário, com taxa de quase 15%.



