O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira com ganho de 1%, impulsionado pela divulgação do IPCA-15 de junho, que veio abaixo do piso das estimativas do mercado. A prévia da inflação, considerada termômetro para a política monetária, registrou alta de 0,39% no mês, contra expectativa mediana de 0,45%, segundo pesquisa da XP. O resultado renovou apostas em um novo corte de juros pelo Banco Central, ainda que agentes financeiros ressalvem que o cenário não está consolidado.
IPCA-15 surpreende e derruba juros futuros
A taxa do DI para janeiro de 2026 caiu 8 pontos-base, a 12,97%, enquanto o contrato para 2029 recuou 12 pontos-base, a 13,15%. O movimento refletiu a percepção de que a inflação está mais controlada, mas ainda distante do centro da meta de 3%. “O número veio bom, mas não é hora de cantar vitória. Ainda há incertezas fiscais e externas”, afirmou o economista-chefe de uma corretora, em condição de anonimato.
Mercado de ações reage com alívio
O índice acionário foi puxado por ações de consumo e utilidades, que se beneficiam de juros mais baixos. A WEG (WEGE3) subiu 2,3%, após o Goldman Sachs elevar sua recomendação de neutra para compra, embora com cautela. Já a JBS (JBSS3) avançou 1,8%, depois de o JPMorgan aumentar a recomendação para overweight, enquanto rebaixou Minerva (BEEF3) para neutro. O fluxo de capital estrangeiro, no entanto, continuou negativo: saída líquida de R$ 2,79 bilhões em junho, segundo dados da B3.
Política monetária no centro das atenções
A próxima reunião do Copom, em agosto, ganha contornos decisivos. A maioria dos analistas projeta corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa a 13,75%, mas a divisão de opiniões é grande. O Banco Central tem reiterado que a inflação de serviços e as expectativas desancoradas seguem sendo riscos relevantes. “O IPCA-15 ajuda, mas o BC precisa ver mais dados para confirmar a tendência de desinflação”, ponderou o gestor de uma asset.
Impacto fiscal e externo segue como incógnita
Enquanto o mercado comemora o dado de inflação, a atenção se volta para o quadro fiscal. A Armor Capital alertou que a trajetória das contas públicas tende a piorar nos próximos anos, pressionando os juros de longo prazo. No exterior, o Federal Reserve mantém tom hawkish, com chances de nova alta de juros nos EUA ainda no radar, o que limita o otimismo doméstico. “O alívio no IPCA-15 é bem-vindo, mas não resolve os problemas estruturais do país”, disse o estrategista da XP.
Perspectivas para os próximos meses
Com o IPCA-15 abaixo do esperado, o mercado reduz levemente as projeções para o IPCA cheio de junho, que será divulgado na primeira quinzena de julho. A mediana das expectativas coletadas pela XP caiu de 0,45% para 0,40%. Apesar disso, a inflação acumulada em 12 meses ainda beira o teto da meta (4,5%), mantendo o BC em alerta. O Ibovespa, que luta para sustentar os 177 mil pontos, pode encontrar suporte adicional se os dados de atividade e inflação continuarem favoráveis.



