O índice Ibovespa fechou a sessão desta terça-feira em alta de 1%, impulsionado pela divulgação do IPCA-15 de julho, que veio abaixo do piso das expectativas do mercado. A prévia da inflação encostou no teto da meta, mas ainda trouxe alívio para os investidores, que reagiram com uma forte queda nos juros futuros ao longo de toda a curva.
Mercado vê alívio, mas alerta contra euforia
Segundo analistas de mercado, o resultado do IPCA-15 indica que a pressão inflacionária pode estar cedendo, mas ainda não é hora de declarar vitória. "Há um claro alívio, mas a inflação ainda está acima do centro da meta e os riscos fiscais permanecem", afirmou um estrategista de um grande banco de investimentos. A reação foi generalizada: além da alta do Ibovespa, os contratos de juros futuros recuaram em todos os prazos, beneficiando ativos de renda fixa indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+.
Juros futuros recuam e abrem espaço para novos cortes na Selic
A queda dos juros futuros é vista como um sinal de que o Banco Central pode ter mais espaço para continuar o ciclo de cortes na Selic. No entanto, a decisão dependerá dos próximos dados de inflação e do cenário fiscal. O mercado monitora de perto as contas públicas, que, segundo gestores da Armor Capital, tendem a piorar nos próximos anos.
JPMorgan ajusta recomendações para JBS e Minerva
No setor de proteínas, o JPMorgan elevou a recomendação para JBS, rebaixou a Minerva e manteve a MBRF como sua favorita no setor. A mudança reflete expectativas de desempenho diferenciado entre as empresas, com JBS se beneficiando de operações diversificadas e Minerva enfrentando desafios no mercado doméstico.
Caixa confirma repasse bilionário do FGTS
A Caixa Econômica Federal confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS aos trabalhadores. O montante será distribuído proporcionalmente aos saldos das contas ativas e inativas, injetando recursos na economia e gerando expectativas de aumento no consumo.
Cenário internacional: Trump, Irã e terremoto no Japão
No âmbito internacional, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter tido conversas "positivas" sobre o Irã, mas reiterou a ameaça de atacar alvos caso o país não feche um acordo nuclear. Enquanto isso, no Japão, um forte terremoto reacendeu o debate sobre a escala Shindo, considerada mais rigorosa que a escala Richter. A Fundação Cobra Coral suspendeu assistência climática à Argentina após declarações do presidente Javier Milei.
Barclays e fluxo estrangeiro
O Barclays registrou lucro de US$ 8,11 bilhões no segundo trimestre, alta de 17% impulsionada pelo boom do mercado de ações. No Brasil, o investimento estrangeiro em ações foi negativo em US$ 2,794 bilhões em junho, indicando saída de capital.
Coca-Cola celebra Copa e eleva previsões
A Coca-Cola elevou suas previsões anuais após o sucesso das pausas de hidratação durante a Copa do Mundo. A empresa destacou o impacto positivo das campanhas.
Fitch alerta para risco de crédito em IA
A agência de classificação de risco Fitch alertou que a correção nos investimentos em inteligência artificial está se tornando um risco de crédito global relevante. O setor, que vinha sendo impulsionado por valuations elevados, pode sofrer ajustes.
FII da Hedge vende edifício no Morumbi
O fundo imobiliário da Hedge fechou acordo para vender um edifício no Morumbi por R$ 86,4 milhões. A transação reflete a movimentação no mercado de imóveis corporativos.
BDRs ganham espaço como via de acesso a ETFs estrangeiros
Os BDRs estão se consolidando como uma alternativa para investidores brasileiros acessarem ETFs estrangeiros, ampliando a diversificação internacional.
Perspectivas
Com o IPCA-15 abaixo do esperado, o mercado agora aguarda os dados oficiais de inflação e as decisões do Copom. A temporada de balanços do segundo trimestre também está no radar, com destaque para Santander Brasil, que ensaia recuperação após queda de 15% no ano.



