O Ibovespa futuro opera em queda nesta segunda-feira (22), pressionado pela divulgação de nova pesquisa Datafolha e pela cautela dos investidores em relação às negociações sobre o programa nuclear do Irã. O dólar comercial sobe ante o real, enquanto os juros futuros avançam na ponta curta.
Pesquisa Datafolha e cenário político pesam
A pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou queda na aprovação do governo Lula, o que gerou incertezas no mercado. O levantamento indicou que 35% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom, ante 37% no mês anterior. A piora na avaliação ocorre em meio a tensões políticas e econômicas.
Além disso, o mercado monitora o desenrolar das negociações entre Estados Unidos e Irã. Segundo fontes, as conversas avançaram e um roteiro para um acordo em 60 dias foi definido, mas ainda há pontos de divergência. A cautela em relação a um possível conflito no Oriente Médio afeta os ativos de risco globalmente.
Dólar e juros sobem
O dólar comercial opera em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,12, refletindo a aversão ao risco no exterior e o movimento de saída de recursos do Brasil. Os juros futuros também sobem, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 projetando taxa de 14,35%, ante 14,30% no ajuste anterior.
No mercado externo, o índice Nasdaq opera perto das máximas históricas, impulsionado por ações de tecnologia. O S&P 500 e o Dow Jones têm desempenho misto, com investidores aguardando a ata do Federal Reserve (Fed) e dados de inflação nos EUA.
Empresas em foco
Entre as ações mais negociadas, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) operam em queda, acompanhando o recuo do minério de ferro na China e a queda do petróleo no mercado internacional. Cosan (CSAN3) cai 1,2%, após concluir pré-pagamentos de R$ 2,8 bilhões para reduzir alavancagem. Trisul (TRIS3) sobe 0,8%, com expectativa de resultados positivos.
O Bradesco BBI reafirmou sua preferência por ações brasileiras, destacando que podem oferecer até 30% de upside mesmo com o Fed mantendo juros altos. O banco citou valuations atrativos e melhora nos fundamentos macroeconômicos.
Boletim Focus eleva projeções
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, elevou as projeções de inflação e da taxa Selic para 2026. A mediana das expectativas para o IPCA subiu de 4,5% para 4,8%, enquanto a Selic passou de 13,75% para 14% ao ano. O mercado também revisou para cima a estimativa de crescimento do PIB, de 2,1% para 2,3%.
Os dados reforçam a percepção de que o ciclo de aperto monetário pode se estender, o que pressiona os ativos de renda fixa e a bolsa. Apesar disso, alguns analistas veem oportunidades em ações de empresas com bons fundamentos e pagadoras de dividendos.



