O Ibovespa opera em baixa nesta quarta-feira (8), mesmo com o forte avanço das ações de petroleiras, refletindo o tom cauteloso da ata do Federal Reserve (Fed) e o mau desempenho das bolsas europeias, que registraram o pior pregão desde março. A Vale também pressiona o índice, com queda superior a 4% após corte de recomendação do Morgan Stanley.
Ata do Fed mostra divisão sobre rumo dos juros
A ata da última reunião do Fed, divulgada nesta quarta, revelou divergências entre os integrantes do comitê sobre o futuro da política monetária. Enquanto alguns membros defendem a manutenção dos juros para conter a inflação, outros avaliam que já há espaço para cortes. A incerteza pesa sobre os mercados globais, especialmente os emergentes.
Ações europeias têm pior dia desde março
As bolsas europeias fecharam em forte queda, com o índice Stoxx 600 registrando a maior perda diária desde março. O movimento foi amplificado por declarações do ex-presidente Donald Trump, que voltou a pedir o fim do comércio com a Espanha, classificando o país como "parceira terrível". A ameaça renovou temores de guerra comercial e afetou setores como o automotivo e o de bens de luxo.
Vale cai mais de 4% com corte do Morgan Stanley
As ações da Vale (VALE3) recuam mais de 4% após o Morgan Stanley rebaixar a recomendação dos papéis, de "neutra" para "venda", citando riscos de queda no preço do minério de ferro e incertezas regulatórias. A mineradora também enfrenta notícias de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo contra o ex-presidente do conselho, segundo reportagem veiculada na imprensa.
Petroleiras sobem, mas não sustentam índice
As ações da Petrobras (PETR4) e da Prio (PRIO3) operam em alta, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional, que subiu mais de 2% com tensões geopolíticas no Oriente Médio. No entanto, o movimento não foi suficiente para conter as perdas do Ibovespa, que também sofre com a aversão a risco global.
Fluxo cambial positivo e agenda doméstica
O Banco Central informou que o fluxo cambial total em 2026 até 3 de julho é positivo em US$ 16,824 bilhões. O dado indica entrada de recursos no país, mas não evita a pressão sobre o câmbio. No cenário doméstico, investidores monitoram a tramitação de pautas econômicas no Congresso e a possibilidade de novos cortes na Selic, conforme defendeu o ex-diretor do BC em entrevista recente.



