O Ibovespa futuro abriu em queda nesta terça-feira, refletindo o clima de aversão global a risco que domina os mercados internacionais. Os investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode trazer indicações sobre o rumo da taxa Selic. O movimento de baixa acompanha o desempenho negativo das bolsas asiáticas e europeias, além dos futuros de Nova York, que recuam com preocupações sobre o crescimento econômico global e a alta dos juros nos Estados Unidos.
Cenário externo pressiona mercados
As bolsas asiáticas fecharam em forte queda, com destaque para o índice Nikkei, que caiu mais de 2%, impactado pela valorização do iene e pela perspectiva de aperto monetário no Japão. Na Europa, os principais índices também operam no vermelho, com investidores cautelosos antes de dados de inflação e decisões de bancos centrais. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuam, ampliando as perdas do setor de tecnologia, que vem sofrendo com realização de lucros e temores de valuation elevado.
Ata do Copom no foco
No Brasil, a atenção se volta para a ata da reunião do Copom da semana passada, quando o comitê manteve a Selic em 14,25% ao ano, mas surpreendeu ao não sinalizar novos cortes. O documento, que será divulgado às 8h, deve detalhar as discussões sobre a condução da política monetária e as projeções para a inflação. O mercado espera que o BC reafirme o tom cauteloso, indicando que o custo para levar a inflação à meta já em 2027 é elevado, conforme sinalizado na comunicação anterior.
Dólar e juros sob pressão
O dólar comercial opera em alta frente ao real, cotado a R$ 5,75, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior. As taxas dos contratos futuros de juros sobem, com o DI para janeiro de 2027 projetando 15,25% ao ano. O movimento reflete a percepção de que o BC pode manter a Selic elevada por mais tempo para conter as pressões inflacionárias, que continuam acima do centro da meta.
Destaques corporativos
No noticiário corporativo, a ação da AZZA3 (Azzas 215) reage após atingir mínima histórica, com investidores avaliando possibilidade de recuperação. A MRV anunciou a venda de dois empreendimentos nos Estados Unidos, Ten Oaks e Rayzor Ranch, por US$ 139 milhões, o que pode aliviar as preocupações com o fluxo de caixa da construtora. Já a Espaçolaser informou oferta secundária do Fundo Magnólia, que pode zerar a participação no capital da empresa. Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 0,5%, aos 127.500 pontos, mas o cenário externo adverso deve limitar o apetite por risco hoje.



