O Ibovespa Futuro opera em queda nesta terça-feira, refletindo o aumento da aversão a risco nos mercados globais. Os investidores também direcionam a atenção para a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada hoje. O documento deve trazer indicações sobre as perspectivas para a Selic e o cenário inflacionário.
Cenário externo pressiona
No exterior, as bolsas asiáticas e europeias fecharam em baixa, influenciadas por temores de desaceleração econômica na China e pela expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos. O índice Stoxx 600, que reúne as principais ações europeias, caiu mais de 1%. Nos EUA, os futuros dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também operam no vermelho.
O petróleo tipo Brent recua mais de 2%, para perto de US$ 80 o barril, ampliando as perdas da sessão anterior. O minério de ferro negociado em Dalian, na China, também caiu, pressionando as ações da Vale e de outras mineradoras na Bolsa brasileira.
Ata do Copom no centro das atenções
O mercado aguarda a ata da reunião do Copom da semana passada, quando o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, como esperado. A expectativa é que o documento traga mais detalhes sobre a avaliação do comitê em relação à inflação e aos riscos fiscais. No comunicado da decisão, o BC sinalizou que vê custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027.
“A ata deve reforçar a postura hawkish do Banco Central, indicando que não há espaço para cortes de juros no curto prazo”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos. “Isso pode aumentar a pressão sobre a renda variável, especialmente em setores mais sensíveis a juros.”
Dólar e juros futuros
No mercado de câmbio, o dólar comercial opera em alta, cotado a R$ 5,15, acompanhando o movimento de valorização da moeda americana no exterior. Os juros futuros também sobem, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 projetando taxa de 12,75% ao ano, ante 12,65% no fechamento anterior.
Ações para acompanhar
Entre os destaques corporativos, a MRV anunciou a venda de dois empreendimentos nos Estados Unidos por US$ 139 milhões, o que pode influenciar o papel. A Raízen, Yduqs, Axia, Cogna e outras empresas também estão no radar dos investidores. A Azevedo & Travassos aprovou o grupamento de ações na proporção de 20 para 1, visando ajustar o preço do papel.
Perspectivas
Analistas apontam que o Ibovespa pode enfrentar volatilidade ao longo do dia, com a combinação de fatores externos adversos e a espera por sinais do Copom. Caso a ata traga surpresas, como uma sinalização mais clara sobre o início do ciclo de cortes, o mercado pode reagir positivamente. No entanto, o cenário base é de cautela.



