O Ibovespa futuro abriu em queda nesta terça-feira, refletindo o clima de aversão global a risco que domina os mercados internacionais. Investidores também aguardam a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode trazer indicações sobre o ritmo futuro de cortes ou manutenção da taxa Selic.
Cenário externo pesa sobre mercados emergentes
O movimento de baixa é impulsionado por fatores externos, como a queda nos índices de tecnologia nos Estados Unidos e a valorização do dólar frente a moedas emergentes. O índice Dow Jones futuro recuava 0,3%, enquanto o S&P 500 futuro caía 0,5% e o Nasdaq futuro perdia 0,8%. Na Europa, as bolsas também operam no vermelho, com o índice Stoxx 600 registrando perdas de 0,4%.
No Brasil, o dólar comercial subia 0,5%, cotado a R$ 5,75, enquanto os juros futuros (DIs) avançavam, com o contrato para janeiro de 2027 subindo 2 pontos-base, para 12,45%.
Foco na ata do Copom
A ata da reunião do Copom, que será divulgada às 8h, é o principal evento doméstico do dia. Na semana passada, o comitê manteve a Selic em 13,75% pela sétima vez consecutiva, mas o mercado espera sinais sobre a possibilidade de cortes a partir de agosto. Segundo o boletim Focus, a mediana das projeções para a Selic no fim de 2023 caiu de 12,50% para 12,25%.
“O Copom deve reforçar que o custo de levar a inflação à meta já em 2027 é elevado, mas pode abrir espaço para um afrouxamento gradual se as expectativas de inflação continuarem ancoradas”, afirma o economista-chefe de uma corretora.
Destaques corporativos
No noticiário corporativo, a MRV&Co anunciou a venda de dois empreendimentos nos EUA, Ten Oaks e Rayzor Ranch, por US$ 139 milhões. Já a Espaçolaser comunicou uma oferta secundária de ações do Fundo Magnólia, que pode zerar sua participação na empresa. A Azevedo & Travassos aprovou um grupamento de ações na proporção de 20 para 1.
Além disso, a Raízen, Yduqs, Axia, Cogna e outras empresas estão no radar dos investidores, com balanços e eventos corporativos programados.
Impacto no mercado de renda fixa
A expectativa pela ata do Copom também mexe com o mercado de renda fixa. As taxas dos CDBs, LCIs e LCAs oferecidas na XP seguem as projeções para a Selic, com os papéis pós-fixados perdendo atratividade em caso de corte de juros. “Se o Copom sinalizar cortes, a renda fixa prefixada e indexada à inflação pode se tornar mais interessante”, explica um analista.



