Ibovespa cai com dados de emprego dos EUA; dólar sobe a R$ 5,15
Ibovespa fecha em baixa com payroll forte nos EUA

O Ibovespa fechou em forte baixa nesta sexta-feira, pressionado por dados de emprego nos Estados Unidos acima do esperado. O payroll de maio mostrou criação de 272 mil vagas, superando as projeções de 185 mil, o que reforçou a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo. Com isso, as bolsas em Wall Street desabaram, interrompendo uma sequência de nove semanas de alta. O dólar comercial saltou para acima de R$ 5,15, maior nível em semanas, enquanto os juros futuros dispararam.

Impacto nas ações e commodities

As ações da Vale e da Petrobras, que têm grande peso no índice, caíram forte. A minerada recuou com a queda do minério de ferro na China, enquanto a estatal petrolífera acompanhou o tombo do petróleo no exterior. O barril do Brent fechou em baixa de mais de 2%, pressionado pelo dólar forte e pela perspectiva de demanda mais fraca. Apesar disso, na semana, o petróleo acumulou alta devido a tensões geopolíticas no Irã.

Mercados globais e commodities

Na Europa, as bolsas fecharam sem direção única, com o tombo do setor de tecnologia e o payroll no radar. O ouro caiu 3%, e a prata perdeu 6%, refletindo a aversão ao risco. O milho atingiu o menor preço em oito meses, com compradores afastados. O Bitcoin mergulhou abaixo de US$ 60 mil, nível visto em setembro de 2024, com o dado de emprego dos EUA.

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Bolsa perde R$ 778 bilhões em valor

Após atingir recorde histórico, a Bolsa brasileira acumula a pior sequência de quedas já registrada: oito semanas consecutivas de baixa. O valor de mercado das empresas listadas encolheu R$ 778 bilhões desde o pico. O UBS rebaixou a recomendação para a Bolsa, apontando um “canário da mina” para o investidor brasileiro.

Juros e câmbio

O dólar forte e a alta dos juros futuros refletem a percepção de que o Banco Central pode ser forçado a elevar a Selic mais cedo do que o esperado. O Bank of America engrossou o coro de revisões e agora vê apenas mais um corte de juros em 2026. A taxa de câmbio pressionada também afeta as importações e a inflação.

Outros destaques do mercado

No mercado de renda fixa, os títulos públicos prefixados e indexados à inflação tiveram forte alta nos rendimentos. Fundos de crédito privado, como o da Blackstone, limitaram saques em meio a resgates elevados. No setor imobiliário, a “papelada” de imóveis no Brasil trava negócios e aumenta o risco jurídico.

Política e regulação

Na política, o senador Flávio Bolsonaro pediu ao STF que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para julgar o caso Master. A Justiça decretou prisão de um jornalista perseguido pela deputada Carla Zambelli. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas elevou o risco para bancos e fintechs.

O mercado segue atento aos próximos passos do Fed e do Banco Central brasileiro, enquanto investidores buscam proteção em ativos de menor risco.

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