O Ibovespa fechou praticamente estável nesta sexta-feira, 19, em uma sessão marcada pela ausência dos mercados americanos devido ao feriado de Juneteenth e pelo vencimento de opções sobre ações, que elevou a volatilidade intradiária. O principal índice da B3 registrou ligeira alta de 0,03%, aos 168.333 pontos, após oscilar entre leves perdas e ganhos ao longo do pregão. Apesar da estabilidade no dia, o índice acumulou queda de 1,64% na semana.
Entre os papéis de maior peso, a Vale (VALE3) subiu 1,01%, beneficiando o índice em uma sessão sem referência do minério de ferro na China por conta de feriado local. Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançaram 0,49%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 0,13%, refletindo a volatilidade do mercado de petróleo. No setor financeiro, predominou o sinal negativo: as preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 0,80%, Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,56% e BTG Pactual (BPAC11) perdeu 0,41%. A exceção foi o Santander Brasil (SANB11), que avançou 0,60%.
Entre as maiores altas do índice ficaram Azzas 2154 (AZZA3), com ganho de 8,33%, Cyrela (CYRE3), que subiu 3,22%, e Magazine Luiza (MGLU3), com valorização de 2,67%. Na ponta negativa, os destaques foram Minerva (BEEF3), com queda de 5,12%, Hapvida (HAPV3), que recuou 2,55%, e RD Saúde (RADL3), com baixa de 1,81%.
O especialista de alocação da Blue3 Investimentos, Gabriel Felix, avalia que o principal evento internacional da semana foi a consolidação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que reduziu significativamente os riscos geopolíticos no Oriente Médio e afastou temores de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Segundo Felix, o movimento provocou forte correção nas cotações da commodity, com o Brent recuando ao longo da semana e voltando à faixa dos US$ 80 por barril. O alívio nas tensões também contribuiu para reduzir o prêmio de risco global e favoreceu o desempenho das bolsas internacionais.
Por outro lado, o analista destaca que o Federal Reserve (Fed) manteve um tom cauteloso em sua reunião desta semana, indicando que juros elevados ainda podem permanecer no radar em 2026. No Brasil, apesar do corte da Selic de 14,50% para 14,25%, o mercado continuou pressionado pelas preocupações com o cenário fiscal e pela perspectiva de que os juros precisem permanecer elevados por mais tempo. "O fim das tensões no Oriente Médio remove um dos problemas globais, mas não resolve os desafios domésticos. Enquanto não houver sinais mais claros de enfrentamento da questão fiscal, será difícil observar uma reversão mais consistente da tendência da bolsa brasileira", afirma.
O dólar à vista encerrou o pregão desta sexta-feira em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,165, em uma sessão de liquidez reduzida pela ausência dos investidores americanos. Apesar da baixa no dia, a moeda acumulou valorização de 2,04% na semana. Ao longo da sessão, o dólar chegou a recuar mais de 0,8%, devolvendo parte da forte alta registrada na véspera e acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana. No entanto, a queda perdeu força durante a tarde, em meio à alta dos juros futuros e à repercussão das decisões recentes do Federal Reserve e do Copom.



